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Economia Saiba como quitar as dívidas e juntar dinheiro em 2016

Saiba como quitar as dívidas e juntar dinheiro em 2016

Quem tem contas atrasadas deve anotar as pendências e se livrar daquelas com juros maiores

Saiba como quitar as dívidas e juntar dinheiro em 2016

Depois do desemprego, o segundo motivo causador da inadimplência foi o descontrole financeiro

Depois do desemprego, o segundo motivo causador da inadimplência foi o descontrole financeiro

Getty Images

O Carnaval já passou e as notícias econômicas não são das mais animadoras. A conjunção formada pela alta do desemprego, a escalada da inflação e os juros altos contribui para aumentar o número de brasileiros que não conseguem pagar as contas em dia.

O número de inadimplentes no País chegou a 59 milhões no mês passado, de acordo com a Serasa Experian. Para se ter uma ideia, isso é o equivalente à soma das populações dos Estados do Rio de Janeiro (16,5 milhões) e São Paulo (44 milhões).

De acordo com a pesquisa Perfil do Inadimplente, da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), feita no último trimestre do ano passado, o desemprego disparou como o principal motivo que levou o consumidor à inadimplência.

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De acordo com a diretora do SerasaConsumidor, Fernanda Monnerat, o trabalhador, que conta com o salário para sustentar a família, obviamente, tem motivos para se preocupar ao ser demitido.

— Mas o desespero não é bom conselheiro e atitudes intempestivas só vão agravar a crise. Colocar a cabeça no lugar, compartilhar a situação com a família e começar a fazer as contas são os primeiros passos para encarar o momento.

Economistas consultados pelo R7 dão dicas para quem está nessa situação quitar as dívidas e passar a juntar dinheiro. O educador financeiro Rafael Seabra afirma que é possível sair do vermelho e passar a investir parte do salário, em qualquer faixa de renda.

— A lógica do endividamento é bem simples: gastar mais do que o que se ganha. Isso é piorado com o mau uso do cartão de crédito. Grande parte dos inadimplentes começou este ano com a promessa de sair dessa situação, uma missão que demanda muito esforço, mas não é impossível.

Dicas

Depois do desemprego, o segundo motivo causador da inadimplência foi o descontrole financeiro, apontado por 23% dos entrevistados no levantamento da Boa Vista SCPC. Seabra sugere que a primeira coisa a fazer é colocar todos os credores no papel e anotar o valor da dívida com cada um deles.

— O segundo passo é procurá-los e expor a cada um a situação, mostrar o tamanho total do endividamento e dizer o quanto é possível pagar por mês.

Monnerat afirma que o desempregado precisa ter em mente que se trata de uma fase complicada e cheia de restrições, mas que pode ser atravessada desde que haja organização e disciplina.

— Muitas vezes, a condição é um estímulo para começar um novo estilo de vida, em um posto de trabalho melhor ou até como patrão.

Também não adianta colocar o pagamento das dívidas em ordem, se não houver uma decisão firme de mudança de comportamento, para que as dívidas realmente deixem de fazer parte de sua vida. Para isso, outra dica do especialista em finanças é anotar todos os gastos durante 30 dias, para ter um raio X da vida financeira e ver a quantidade de gastos supérfluos que podem e devem ser cortados.

— Pode ser em um caderno ou no bloco de notas do celular. O objetivo é identificar para onde está indo o dinheiro. Seja a prestação de uma roupa, seja uma refeição fora de casa até um cafezinho.

Para se tornar um investidor

Uma vez que as dívidas estiverem pagas e as contas, em dia, será possível começar a juntar dinheiro para realizar os sonhos, sejam eles uma viagem, um curso, um carro ou a casa própria.

Seabra lembra que o melhor é zerar o endividamento antes de começar a investir, pois geralmente a taxa de juros da dívida é maior que a taxa de rentabilidade do investimento. No entanto, se as parcelas estiverem em dia, é possível aplicar parte do que se ganha, mesmo que o valor seja bem pequeno, para adquirir o hábito de poupar e investir.

Para investir, há opções para começar com apenas R$ 30, que são mais seguros que a poupança e têm rentabilidade muito maior: são os títulos do Tesouro.

— O Tesouro Direto é uma ótima escolha para pequenos investidores. É seguramente a opção com melhor relação custo-benefício, pois alia a alta rentabilidade, a segurança e o baixo investimento inicial. Enquanto as melhores aplicações financeiras dos bancos só estão acessíveis para quem pode investir R$ 30 mil, R$ 50 mil ou mesmo R$ 100 mil.