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Economia Sem Carnaval, 25 de Março prevê queda de 70% nas vendas

Sem Carnaval, 25 de Março prevê queda de 70% nas vendas

Impacto é estimado para fevereiro por associação de lojistas. No país, setores ligados a turismo e trabalho informal têm prejuízo

Movimento na Rua Vinte e Cindo de Março, tradicional ponto de comércio popular em SP

Movimento na Rua Vinte e Cindo de Março, tradicional ponto de comércio popular em SP

Amanda Perobelli/Reuters - 15.12.2020

A não realização dos desfiles e blocos de Carnaval neste ano, em razão da pandemia de covid-19, faz empresários, comerciantes e trabalhadores informais estimarem perdas de faturamento em fevereiro e, em alguns casos, com impacto na receita anual.

A Univinco (União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências), um dos pontos de comércio que mais lucram com o crescimento da folia de rua de São Paulo nos últimos anos, prevê agora uma queda de 70% em vendas para este mês sem o Carnaval, que foi cancelado na capital paulista.

Para as lojas de fantasias, adereços e itens para decoração de carros alegóricos, as vendas dessa época do ano representam até 45% do faturamento anual.

Em vez de retomar os trabalhos nesta "Quarta-feira de Cinzas", como ocorre todos os anos, comerciantes da Rua 25 de Março têm uma rotina diferente nesta semana. Como foi cancelado o ponto facultativo que normalmente acontece entre segunda e a manhã de quarta-feira, muitos comerciantes trabalharam normalmente nos últimos dias, com público bem abaixo do verificado nas proximidades da festa nos anos anteriores.

Em 2020, por exemplo, o Carnaval da cidade teve recorde de público, com 15 milhões de pessoas, registrou blocos por duas semanas e movimentou cerca de R$ 2,75 bilhões.

Uma das lojas tradicionais da Rua Vinte e Cinco de Março, o Armarinhos Fernando nem sequer colocou itens do segmento de carnaval na sua loja este ano. "Em janeiro, com a incerteza da volta às aulas, já tivemos uma queda de 40%. E ainda com os sábados sem abrir por causa das medidas de restrição, foi bem difícil", afirma o gerente do Armarinhos Fernando, Ondamar Ferreira.

Segundo Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, vários setores perderam. "Quem trabalha com fantasias foi prejudicado. Vendedores informais também perderam. Mas a maior perda mesmo é do ponto de vista do turismo, de hotelaria, restaurantes, músicos que aproveitam esse período para ganhar algum dinheiro. A perda é muito espalhada, muito generalizada", afirma. 

Por outro lado, comércios que não giram em torno da folia não deverão sentir esse mesmo impacto e poderão até ter algum resultado, já que em anos normais muitos costumavam ficar fechados, explica Solimeo.

O economista avalia que os comerciantes já estavam de certa forma preparados para a não realização da festa neste ano e que acabam não tendo alternativa, já que o arrefecimento da contaminação pelo novo coronavírus é considerado fundamental para a retomada do comércio. A esperança do setor na capital paulista é que a vacinação avance de forma rápida para que o cenário de restrições a festas e ao funcionamento das lojas seja superado.

Turismo

A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) estima que os setores de transportes, hospedagem e alimentação serão os mais afetados com o cancelamento do Carnaval no Brasil em 2021. No ano passado, a data movimentou aproximadamente R$ 8 bilhões e gerou cerca de 25 mil empregos. 

A CNC não fez projeções concretas sobre o Carnaval, sobretudo por conta das diferentes decisões de estados e municípios em relação ao feriado.

As companhias aéreas e o transporte rodoviário devem sentir o impacto da não realização da folia e da suspensão do feriado em algumas regiões. “Além da movimentação nas capitais do Nordeste, no Rio de Janeiro e em São Paulo, muitas pessoas aproveitam o maior feriado do calendário para fugir das festas, o que movimenta o turismo também no interior e nas pequenas cidades”, afirma Fabio Bentes, economista da CNC.

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