Economia Sete em cada 10 esperam saldão para comprar bens de maior valor

Sete em cada 10 esperam saldão para comprar bens de maior valor

Pesquisa da CNI mostra que 71% dos brasileiros aguardam por promoções para adquirir bens como eletrodomésticos, móveis, celulares e eletrônicos 

Pesquisa mostra que 71% dos consumidores aguardam saldão para fazer compras

Pesquisa mostra que 71% dos consumidores aguardam saldão para fazer compras

Marcos Moraes/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Segundo a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira sobre práticas de consumo divulgada nesta terça-feira (14) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), 71% dos consumidores brasileiros esperam por promoções e saldões para comprar bens de maior valor, como eletrodomésticos, móveis, celulares, eletrônicos e automóveis. Em 2013, o percentual era de 64%.

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O levantamento revela que, quanto menor a renda familiar, maior o costume de esperar por condições especiais ou preços mais atraentes. De acordo com a pesquisa, 75% dos brasileiros com renda familiar de até um salário mínimo esperam um saldão, enquanto o percentual entre os consumidores com renda superior a cinco salários mínimos é de 60%.

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Os números também revelam que 93% dos consumidores costumam pesquisar os preços dos bens de maior valor antes de realizar a comprar, enquanto que 80% vão atrás das características técnicas desses itens.

De acordo com a pesquisa, o preço, a qualidade e a marca do produto são considerados os fatores mais importantes na hora de adquirir bens de maior valor. Por outro lado, os fatores apontados como menos importantes para a compra são a propaganda, o design e a novidade.

Para Renato da Fonseca, gerente de pesquisa e competitividade da CNI, essa percepção maior do consumidor no que diz respeito à preço, produto, qualidade e o que vai acontecer depois da compra vem, em partes, da crise econômica. “Com a crise o consumidor tem que fazer valer a renda da família. As famílias que tiveram algum integrante que perdeu o emprego tiveram que apertar o orçamento, e isso faz com que eles acabem fazendo mais pesquisas, olhando mais os preços, vendo se é realmente vantajoso”, explica.

De acordo com ele, essa mudança no comportamento de consumo vem aliada do maior acesso a informação, proporcionada por uma sociedade integrada à tecnologia. “Hoje em dia fazer pesquisa de preço ou de qualidade do produto é muito mais fácil. Com celular ou computador, o consumidor consegue rapidamente ter uma noção de onde achar um preço melhor”, afirma o gerente. 

Garantia e pós-venda

Os dados da pesquisa da CNI apontam ainda que a quantidade de consumidores que se importa com a garantia e os serviços de pós-venda aumentou de 65%, em 2013, para 74%, em 2019.

Entre os brasileiros com renda familiar de até um salário mínimo, 78% tem o costume de buscar informações sobre garantia e serviços de pós-venda. O percentual diminui conforme a renda familiar cresce – 69% dos brasileiros de famílias que recebem mais de cinco salários mínimos têm o hábito de pesquisar por esses aspectos antes da compra.

Processo irreversível

Para de Fonseca, mesmo com a economia se recuperando, com empregos sendo gerados e as pessoas recuperando um padrão de renda melhor, o costume de pesquisar por condições melhores de consumo é um processo irreversível. “O consumidor começou a perceber a vantagem de fazer mais pesquisa, esperar por promoções e não ter um consumo imediato. Então acho difícil que você mude esse comportamento, principalmente nos produtos de maior valor agregado”, conta o gerente de pesquisa e competitividade da CNI.

“O celular, por exemplo, é um produto muito útil, mas muito caro. As pessoas certamente vão ter mais o costume de esperar o momento adequado de fazer a compra, de escolher o melhor modelo, de pesquisar bem os preços e obviamente se preocupar com o quanto ele vai gastar se aquele produto der um problema lá na frente. Ver qual é a garantia, qual é o serviço pós-venda, etc. Eu diria que isso é um processo irreversível, não tem volta, e as empresas vão ter que se adaptar a isso. Olhar para a qualidade do produto e qualidade de atendimento, principalmente após a venda”, completa.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas

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