Setor de soja do Brasil diz que exportação segue como esperado

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria de soja do Brasil manteve nesta sexta-feira suas projeções de safra do país em 2020 em recorde de 123,7 milhões de toneladas, avaliando ainda que os embarques do maior exportador global estão dentro do esperado, mesmo em tempos de coronavírus.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estimou as exportações do Brasil, maior exportador global, em 73,5 milhões de toneladas, estáveis ante a previsão de fevereiro, o que representa uma queda de cerca de 500 mil toneladas ante 2019.

"No mercado externo os embarques dos produtos do Complexo Soja estão dentro do esperado", disse economista-chefe da Abiove, Daniel Amaral, em mensagem à Reuters.

A avaliação foi feita após o Brasil exportar em março um recorde mensal histórico de 13,3 milhões de toneladas, superando máxima anterior de 11,6 milhões de toneladas de abril de 2018, de acordo com dados divulgados pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) nesta semana.

Os grandes volumes foram registrados com forte demanda da China e após atrasos nos embarques em fevereiro, devido a chuvas intensas.

Ainda, segundo a Anec, a programação de embarques para abril apontava para exportação de aproximadamente 12,2 milhões de toneladas da oleaginosa, um número também forte para o país em momento de pico de escoamento de safra.

Consultada, a Abiove disse que não tem novidades em relação a alguns problemas pontuais para o tráfego de caminhões, em meio a algumas restrições impostas para o combate do coronavírus.

Na quarta-feira, Abiove disse que ainda via falta de serviços a caminhoneiros, o que tende reduzir a oferta de veículos, apesar de uma determinação federal para reabertura de restaurantes nas estradas.

Para minimizar o problema, a Abiove oferecerá apoio aos caminhoneiros, como alimentação nos pátios, a partir deste mês.

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FARELO E ÓLEO

A Abiove ainda manteve a projeção de processamento de soja em 2020 em 44,5 milhões de toneladas, o que seria um recorde, com aumento de cerca de 1 milhão de toneladas ante 2019, mesmo diante de economias enfraquecidas pelo coronavírus.

"Ainda é cedo para estimar o impacto da crise na demanda interna por biodiesel, óleos e gorduras e por farelo... Ainda estamos aguardando a evolução concreta da crise do coronavírus no Brasil e em nossos mercados consumidores para poder fazer uma reavaliação das previsões para 2020", destacou Amaral.

O mercado de combustíveis, no qual o biodiesel está inserido por meio da mistura no diesel, tem sofrido forte queda no consumo, por conta do isolamento social.

Contudo, no caso do diesel, a demanda gerada pelo escoamento da safra neste momento tem ajudado a compensar o recuo no consumo de outros derivados, disse o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, na véspera.

Segundo a Abiove, "não foram feitas alterações, visto que ainda se observam os impactos da redução da atividade econômica sobre os dados de consumo de produtos do complexo soja".

O outro produto importante da indústria de soja, o farelo, também é essencial para a produção de carnes.

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REVISÃO EM 2019

O Brasil produziu 120,75 milhões de toneladas de soja em 2019, e não 118,7 milhões de toneladas conforme previsto até fevereiro, apontou a Abiove nesta sexta-feira, em revisão de estimativas do ano passado, acrescentando que essa alteração elevou os estoques iniciais da oleaginosa do país em 2020.

Com a revisão da safra de soja de 2019, a Abiove elevou a previsão de estoques iniciais do país para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,3 milhão na previsão de fevereiro.

Segundo a Abiove, o balanço anual de oferta e demanda de farelo e óleo também passou a seguir a apuração feita pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia.

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(Por Roberto Samora)