Economia Taxa básica de juros no fim de 2021 permanece em 3,00% ao ano

Taxa básica de juros no fim de 2021 permanece em 3,00% ao ano

Estimativa foi feita por analistas de mercado. Já a inflação para 2020 passa de 4,35% para 4,39%, segundo relatório da Focus

Agência Estado
Selic no fim de 2021 permanece em 3,00% ao ano, diz Focus

Selic no fim de 2021 permanece em 3,00% ao ano, diz Focus

Pixabay

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2021. O Relatório de Mercado Focus trouxe nesta segunda-feira que a mediana das previsões para a Selic no próximo ano seguiu em 3 00% ao ano. Há um mês, estava no mesmo patamar. No caso de 2022, a projeção seguiu em 4,50% ao ano, igual a um mês antes. Para 2023, seguiu em 6,00%, mesmo patamar de quatro semanas atrás.

Há duas semanas, ao manter a Selic em 2,00% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central preparou o terreno para possível elevação dos juros em 2021. O motivo é que as projeções de inflação estão se aproximando das metas perseguidas pelo BC nos próximos anos. A avaliação é de que a instituição poderá acabar com o chamado "forward guidance" (ou prescrição futura, na tradução do inglês).

Leia mais: Entenda como a redução da Selic impacta seus investimentos

Adotado em agosto, o "forward guidance" é uma indicação técnica do BC de que não pretende elevar os juros se a inflação seguir sob controle e o risco fiscal não se alterar. O problema é que, nos últimos meses, a inflação ao consumidor está mais salgada, puxada por aumentos de preços em itens como alimentos e energia. Ao avaliar o cenário, o BC afirmou que "em breve, as condições para a manutenção do forward guidance podem não mais ser satisfeitas". Na prática, se retirar esta mensagem técnica de suas comunicações, o BC ficará mais livre para elevar os juros se achar necessário.

No grupo dos analistas que mais acertam as projeções de médio prazo no Focus (Top 5), a mediana da taxa básica em 2021 foi de 3,13% para 3,00% ao ano, ante 2,50% de um mês antes. A projeção para o fim de 2022 no Top 5 permaneceu em 4,00%. Há um mês, estava no mesmo patamar. No caso de 2023, seguiu em 4,75%, igual a quatro semanas antes.

IPCA para 2020 passa de 4,35% para 4,39%

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - em 2020. O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 21, pelo Banco Central (BC), mostra que a mediana para o IPCA neste ano foi de alta de 4,35% para 4,39%. Há um mês, estava em 3,45%. A projeção para o índice em 2021 foi de 3,34% para 3,37%. Quatro semanas atrás, estava em 3,40%.

Veja também: Reformas são vitais para manter juro baixo, diz Economia

Essas projeções surgem na esteira do anúncio da retomada do sistema de bandeiras tarifárias na conta de luz em dezembro, com taxa extra de R$ 6,243 a cada 100 kWh. Devido à pandemia do novo coronavírus, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vinha praticando a bandeira verde, sem cobrança de taxa extra.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2022, que seguiu em 3,50%. No caso de 2023, a expectativa permaneceu em 3,25%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,50% e 3 25%, nesta ordem.

A projeção dos economistas para a inflação está acima do centro da meta de 2020, de 4,00%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5 00%), enquanto o parâmetro para 2023 é inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).

Mais: 3 investimentos seguros e que rendem mais do que a poupança

Há duas semanas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação de novembro foi de 0 89%. Em 12 meses, a taxa acumulada está em 4,31%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2020 segue em 4,34%. Para 2021, a estimativa do Top 5 seguiu em 3,41%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 3,39% e 3,31%, respectivamente.

No caso de 2022, a mediana do IPCA no Top 5 permaneceu em 3,52%, ante 3,50% de um mês atrás. A projeção para 2023 no Top 5 seguiu em 3,50%, ante 3,38% de quatro semanas antes.

Últimos 5 dias úteis

A projeção mediana para o IPCA de 2020 atualizada com base nos últimos 5 dias úteis foi de 4,37% para 4,43%, conforme o Relatório Focus. Houve 49 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 3,53%. Essa projeção também surge na esteira do anúncio da retomada do sistema de bandeiras tarifárias na conta de luz em dezembro. No caso de 2021, a projeção do IPCA dos últimos 5 dias úteis foi de 3,34% para 3,35%. Há um mês, estava em 3,47%. A atualização no Focus foi feita por 49 instituições.

Outros meses

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA em dezembro de 2020, de alta de 1,19% para avanço de 1,23%. Um mês antes, o porcentual projetado indicava alta de 0,65%.

Para janeiro de 2021, a projeção no Focus foi de alta de 0,37% para 0,36% e, para fevereiro de 2021, passou de alta de 0,39% para 0,38%. Há um mês, os porcentuais indicavam elevações de 0 43% e 0,41%, nesta ordem.

No Focus agora divulgado, a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de alta de 3,99% para 3,87% de uma semana para outra - há um mês, estava em 3,80%.

Últimas