Economia Tony Blair: Setores terão 'prejuízos permanentes' após pandemia

Tony Blair: Setores terão 'prejuízos permanentes' após pandemia

Ex-primeiro-ministro do Reino Unido afirmou que qualidade e a eficiência de um governo são os principais fatores para o sucesso de uma nação

  • Economia | Do R7

Blair disse que "foi muito contra" o Brexit

Blair disse que "foi muito contra" o Brexit

Brendan McDermid/Reuters

O primeiro-ministro do Reino Unido entre 1997 e 2007, Tony Blair, afirmou nesta terça-feira (14), durante a Expert XP 2020, que alguns setores econômicos "terão prejuízos permanentes" mesmo após o fim da pandemia do novo coronavírus.

"Teremos altos índices de desempregos e vai levar algum tempo para que restaurantes, empresas aéreas e hotéis se recuperaram", observou Blair.

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Para o ex-primeiro-ministro, o dilema entre enfrentar a pandemia com ou sem o isolamento total será visto no futuro. "Os países usaram diferentes estratégia e com diferentes graus de sucesso”, explicou ele.

De acordo com Tony Blair, qualidade e a eficiência de um governo são os principais fatores responsáveis para o sucesso de uma nação em diferentes aspectos. "Você pode ter dois países vizinhos, com o mesmo tipo de população e bens de produção, um tem sucesso e o outro fracassa. A diferença está na qualidade do governo", explicou.

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Ao citar especificamente os países emergentes, como o Brasil, Blair listou a corrupção, o estado de direito, regras previsíveis para os investidores e o controle das contas públicas como alguns dos principais desafios.

Blair avalia que os mais pobres "foram os que mais sofreram com a pandemia", porque são os que não têm condições de trabalhar remotamente. "Na medida em que escalamos na cadeia de valor, alguns empregos que são menos habilitados se tornam mais automatizados e aumentamos a desigualdade", disse ele.

Brexit

Ao comentar a respeito do processo de saída do Reino Unido da União Europeia, Blair afirmou que "foi muito contra" a proposta, mas agora aguarda pela concretização dos acordos comerciais com o continente.

"Até o momento ainda não negociamos e os dois lados ainda estão muito distantes", lamentou o ex-primeiro-ministro. "Se quisermos que Londres siga como uma capital estrangeira, precisamos resolver essa relação com a Europa”, afirmou.

Blair ainda criticou a postura dos líderes atuai e defendeu que seja encorajado o desenvolvimento e a tecnologia. "Os políticos hoje acham muito difícil tomar decisões duras e muitas vezes as ideias não são muito inteligentes”, avaliou.

Ele disse defender o retorno do Reino Unido a uma política mais alinhada ao centro

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