Economia Três de cada cinco lojistas vão participar da Black Friday

Três de cada cinco lojistas vão participar da Black Friday

Expectativa aposta no crescimento de 5% das vendas na data celebrada no fim de novembro, na comparação com 2020

  • Economia | Da Agência Brasil

Compras na Black Friday devem crescer em 2021

Compras na Black Friday devem crescer em 2021

Agência Brasil

Cerca de três em cada cinco lojistas (62,5%) farão promoções em seus pontos de venda durante a Black Friday, na última sexta-feira de novembro, aponta pesquisa feita pela Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) com seus 1.200 associados de todo o Brasil.

O levantamento mostra ainda que 18,8% dos lojistas gostariam de participar da data, porém não conseguirão devido ao aumento de custos que pressiona os preços e as margens de venda. Os que admitiram que não vão participar são 12,5% e os que apostarão apenas em promoções via internet em plataformas de ecommerce são 6,2%.

A expectativa da Alshop com relação à data é positiva, podendo superar os números de 2020 em 5%. “Sabemos que o varejo tem se erguido aos poucos, e mesmo diante da alta dos preços, em conversas com outros empresários, há muito mais otimismo para essa nova fase”, disse o diretor institucional da Alshop, Luis Augusto Ildefonso.

Segundo ele, mesmo com a alta do dólar e o aumento de custos indiretos, os consumidores podem visitar as lojas esperando descontos significativos. “Os descontos não serão tão generosos como nos anos anteriores, mas com certeza farão a diferença para o consumidor que está em busca de smartphones, eletrodomésticos ou até outros produtos que já estejam no radar. O importante é aproveitar a data e pesquisar para encontrar bons descontos”, afirmou.

Limite de descontos

A Fecomercio-SP (Federação do Comércio de São Paulo) alerta para o fato de que a preparação para a data requer atenção dos lojistas na hora de identificar o limite de descontos para atrair os consumidores sem comprometer o fluxo de caixa, ainda mais diante de um cenário de incertezas econômicas e com indicadores de consumo deteriorados (desemprego em alta, inflação, deterioração da renda e crédito mais caro). Por outro lado, alguns pontos críticos devem ser analisados quanto à Black Friday deste ano.

“A oferta mais escassa de bens duráveis, como eletroeletrônicos e eletrodomésticos, poderá ter impacto nas vendas, considerando que os insumos necessários para a fabricação destes produtos estão com preços mais altos. Além disso, o crescimento mundial da demanda e a falta de componentes eletrônicos poderão comprometer a oferta de determinados produtos”, disse a entidade.

Segundo a Fecomercio, com a retomada econômica, houve crescimento significativo da demanda, o que atingiu a logística de transportes, uma vez que o número de contêineres, navios e aviões não aumentou para dar conta dos pedidos que já estavam atrasados por causa das medidas restritivas para o controle da pandemia e das novas encomendas mundiais, simultaneamente. Tudo isso elevou o preço do frete e dilatou os prazos para a exportação e a importação de produtos. A alta do dólar é outro componente a ser considerando, porque aumentou o custo dos produtos.

“Em razão de todos esses problemas, os lojistas já trabalham com estoques mais baixos para atender os clientes neste fim de ano. Um dos grandes desafios será realizar promoções que sejam interessantes para os consumidores, considerando o aumento dos custos, sem comprometer as finanças do negócio”, informou a Fecomercio.

Para a entidade, o ponto de atenção para os lojistas na Black Friday deste ano é pôr o consumidor no centro das estratégias do negócio, proporcionando a melhor experiência de compra, desde o primeiro contato até o pós-venda.

Guia

Dados da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), baseados em um levantamento da consultoria Neotrust/Compre&Confie, mostram que, no ano passado, mesmo com as medidas de distanciamento social mais rígidas e os efeitos mais intensos da crise econômica desencadeada pelo novo coronavírus, as vendas na Black Friday cresceram mais de 30% em relação a 2019 e alcançaram R$ 5,1 bilhões.

Em razão desses números e para impulsionar as vendas neste ano, a entidade elaborou um guia para ajudar os lojistas a buscar alternativas para alavancar as vendas. Em primeiro lugar, a associação aconselha o comerciante a aproveitar o alcance das redes sociais. “Muitos empreendedores, especialmente aqueles que têm apenas um negócio físico, ainda não conseguem enxergar a real necessidade de usar as redes sociais a seu favor. Além de abrir uma conta da empresa, vale a pena considerar a ideia de investir em anúncios para impactar mais usuários com as suas ofertas”, salientou a ACSP.

Outra dica é oferecer descontos reais, já que o período é um sucesso de vendas, mas também desperta a desconfiança com relação aos descontos. “Isso porque, nas últimas edições, muitas empresas aumentaram os preços às vésperas do evento para, no dia da campanha, anunciar reduções maiores nos preços. O lembrete é o de que conquistar a confiança do público em uma data como esta pode fidelizar clientes para o ano todo.”

É importante controlar o estoque e o caixa para definir a estratégia de marketing e de precificação, não esquecendo de avaliar o estoque e verificar com os fornecedores se os contratos de compra serão cumpridos ou se podem sofrer atrasos.

“Outro ponto de atenção é garantir que o treinamento da equipe esteja em dia para que não haja falhas no processo. As respostas aos clientes no WhatsApp, email, redes sociais e todo o suporte pós-venda devem ser cordiais e transmitir credibilidade para o público”, sugeriu a ACSP.

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