Economia Um a cada 4 brasileiros endividados da classe C deve mais que duas vezes o seu salário

Um a cada 4 brasileiros endividados da classe C deve mais que duas vezes o seu salário

Dados foram apresentados pela Serasa Experian nesta quarta-feira (12)

A Serasa Experian apresentou um estudo sobre inadimplência nesta quarta-feira (12). O levantamento revelou que 25,6% de pessoas endividadas da classe C, que ganham entre R$ 993 a R$ 3.147, estavam com mais de 201% ou mais da renda comprometida com débitos no ano passado.

Isto quer dizer que, a cada quatro devedores da classe C, um deve mais do que duas vezes de seu salário.

Os dados também mostram que a falta de organização financeira atinge todas as classes: na A (renda superior a R$ 6.502), essa porcentagem de comprometimento com dívidas superior a 200% é de 11,7%; na B (renda de 3.147 a R$6.502), o quantitativo era de 23,1%; e na D (ganhos de R$ 300 a R$ 993), 21,9% estavam nesta situação.

Segundo o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro, o cenário econômico do Brasil com taxas baixas de desemprego no ano passado (5,4%) não justificaria esse número de endividados. Para ele, o principal problema para esta inadimplência é o descontrole financeiro.

— O descontrole não é dependente da renda. As pessoas vão mudando de patamar, as suas expectativas de consumo e as suas necessidades.

Loureiro explica que as pessoas não podem comprometer mais do que 31% da sua renda com débitos.

Uma notícia positiva neste cenário é que o número de consumidores que pagaram suas contas, mas depois voltaram a se endividar, é o menor em três anos. Segundo dados da Serasa Experian, a reincidência em 2013 atingiu 36,6% dos consumidores, enquanto que, em 2012, foi 38,9% e, em 2011, 39,4%.

— A reincidência está reduzindo. Uma tendência positiva e o consumidor acaba aprendendo pelo próprio descontrole.

Inadimplência ainda é alta

O estudo da Serasa também mostrou que, apesar da preocupação dos consumidores em regularizar suas dívidas, o número de novas pessoas inadimplentes no ano passado, 5,9 milhões, é maior do que a população de alguns países da Europa, como Dinamarca (5,5 milhões), Eslováquia (5,4 milhões), Finlândia (5,3 milhões) e até mesmo da Noruega (4,6milhões).

A psicóloga Tatiana Filomenski, que coordena um trabalho de atendimento a pessoas impulsivas, inclusive com compradores compulsivos, explica que um dos grande problemas atuais também é o imediatismo que faz com que as pessoas assumam dívidas.

— Ninguém espera, a gente vive num momento de imediatismo. Eu não faço a conta se aquela parcela cabe no meu bolso...  O dinheiro é finito, as pessoas precisam aprender a economizar.

Apesar da incidência alta de inadimplência, dos 23,5 milhões de pessoas que passaram a fazer parte da base de inadimplentes da Serasa no ano passado, 17,6 milhões conseguiram quitar suas dívidas e limparam o nome. O número é 2,1% superior ao de 2012, quando 17,3 milhões ficaram com as contas no azul após regularizar os débitos.

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