Vendas do comércio têm pior resultado desde 2001

Em 2016, varejo brasileiro registrou queda de 6,2% na comparação com 2015

Vendas do comércio têm pior resultado desde 2001

Todas atividades do comércio tiveram queda nas vendas em 2016

Todas atividades do comércio tiveram queda nas vendas em 2016

Tânia Rêgo/13.02.2017/Agência Brasil

O comércio brasileiro registrou uma queda de 6,2% nas vendas no ano passado em comparação com 2015, de acordo com a PMC (Pesquisa Mensal do Comércio), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (14).

Com isso, o varejo brasileiro registrou o pior resultado anual desde 2001, ou seja, há 16 anos, quando o IBGE iniciou a série histórica.

Todas as oito atividades que compõem o varejo, apuradas pelo IBGE, registraram quedas nos negócios em 2016. Seis delas registraram as quedas mais acentuadas de suas séries históricas no acumulado em 2016.

O resultado foi puxado especialmente pelos setores de móveis, tecidos, vestuário e calçados e livros, jornais, revistas e papelarias.

Entre os livros, jornais, revistas e papelaria, o recuo nas vendas foi de 16,1% — a mais acentuada queda da série histórica, iniciada em 2001. Como razões, o IBGE apontou a redução da renda real e, no caso de jornais e revistas, a "substituição dos produtos impressos pelos de meio eletrônico".

No segmento de móveis e eletrodomésticos, houve uma queda de 12,6% — resultado menos acentuado que o registrado no fechamento de 2015 (quando houve queda de 14,1%), contribuindo com o segundo maior impacto negativo na taxa anual do comércio varejista.

Neste grupo, o IBGE indicou como motivos para o resultado a "elevação da taxa de juros nas operações de crédito às pessoas físicas e pela queda da massa real de rendimentos". Móveis e eletrodomésticos têm "uma dinâmica de vendas associada à disponibilidade de crédito e a evolução dos rendimentos".

O segmento de equipamentos e material de escritório, informática e comunicação registrou uma diminuição de 12,3% nas vendas em 2016 — a queda mais forte desde 2001. As razões, diz o IBGE, são "a redução de renda real e elevação dos juros, como também, a valorização cambial do dólar ao longo de 2016, na medida em que muitos componentes ainda são importados".

Também merece destaque especial o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, cuja queda nas vendas foi de 3,1% — a maior desde 2003 (-4,8%). Esse segmento exerceu a maior influência negativa na redução do total do varejo. A explicação para o recuo, de acordo com o instituto, são "a perda da renda real e o aumento de preços dos alimentos em domicílio".

Varejo ampliado

Os segmentos de veículos, motos, partes e peças e de material de construção também registraram quedas acentuadas nas vendas em 2016. No caso do primeiro, os negócios recuaram 14%. Já as casas de material de construção tiveram um recuo de 10,7% nos negócios.

Para o IBGE, "os fatores que justificam este desempenho são a diminuição do ritmo de financiamentos, a elevação da taxa de juros e a restrição orçamentária das famílias".

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