Vendas no varejo dos EUA têm queda recorde em março devido a coronavírus

MACRO-EUA-VAREJO:Vendas no varejo dos EUA têm queda recorde em março devido a coronavírus

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - As vendas no varejo nos Estados Unidos sofreram queda recorde em março uma vez que os fechamentos obrigatórios de empresas para controlar o surto de coronavírus prejudicaram a demanda por uma série de produtos.

O Departamento do Comércio informou nesta quarta-feira que as vendas varejistas despencaram 8,7% em março, maior queda desde o início da série do governo em 1992, depois de caírem 0,4 em fevereiro.

A expectativa em pesquisa da Reuters junto a economistas era de que as vendas no varejo caíssem 8,0% no mês passado.

O relatório foi divulgado no momento em que milhões de norte-americanos perdem seus empregos, fortalecendo a convicção dos economistas de que a economia está em profunda recessão. Os Estados e governos locais emitiram ordens de isolamento social que afetam mais de 90% dos norte-americanos para conter a propagação do Covid-19, a doença respiratória causada pelo vírus, paralisando abruptamente o país.

"A economia está quase em queda livre", disse Sung Won Sohn, professor de economia empresarial da Universidade Loyola Marymount, em Los Angeles. "Veremos o fundo quando as taxas de infecção por coronavírus se estabilizarem. Será um fundo bem profundo para se recuperar."

A queda nas vendas na maioria das categorias de varejo devido a restrições sociais superou em muito o aumento nos recebimentos de varejistas online como Amazon , além de supermercados e farmácias, pois os consumidores estocaram itens domésticos como alimentos, papel higiênico, material de limpeza e medicamentos.

Os gastos do consumidor representam mais de dois terços da atividade econômica dos EUA. Eles cresceram a um ritmo de 1,8% no quarto trimestre, com a economia geral expandindo a uma taxa de 2,1% durante esse período. Os economistas não vêem alívio nos gastos dos consumidores no segundo trimestre, com estimativas de uma taxa de declínio de até 41%, apesar de um histórico pacote fiscal de 2,3 trilhões de dólares que prevê pagamentos em dinheiro a algumas famílias.