Vivemos 'pior crise dos últimos 100 anos', diz Petrobras a funcionários

Estatal anunciou novo corte de produção para se adequar à queda brusca da demanda por petróleo, que fez o preço do combustível desabar

Petrobras

Petrobras pretende "agir rápido" para conter crise

Petrobras pretende "agir rápido" para conter crise

Divulgação/Petrobras

A Petrobras divulgou internamente uma carta aos seus funcionários para dar alguns detalhes das novas medidas de resiliência, anunciadas nesta quarta-feira (1º) e também para informar que outras medidas poderão vir pela frente, dependendo do desenrolar do cenário de crise.

"É a pior crise nos últimos 100 anos. Ainda que as consequências sejam imprevisíveis, elas já estão ocorrendo — e são drásticas", afirma a empresa, acrescentando que pela primeira vez na história houve, simultaneamente, uma queda brusca da demanda mundial associada à alta da produção, o que tem contribuído para derrubar o preço do petróleo.

Segundo a empresa, a crise não será passageira e poderá afetar o futuro. Em resposta, pretende "agir rápido".

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Nesta quarta, foi a segunda vez que a Petrobras anunciou cortes de produção. O primeiro comunicado foi feito no dia 26, quando informou a redução da produção de petróleo de 100 mil barris por dia. Agora ampliou para 200 mil barris por dia e ainda vai reduzir o ritmo de suas refinarias.

A estimativa é que o consumo de combustíveis no Brasil caia à metade nos próximos meses. "Vamos continuar monitorando o cenário de forma a garantir que a Petrobras continue fornecendo a energia que contribui para movimentar a nossa sociedade. Se for preciso, tomaremos outras medidas para garantir a continuidade de nossos negócios", afirma.

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Além dos cortes de produção, foi detalhada na carta aos funcionários a postergação das remunerações mensais do pessoal com função gratificada e as mudanças nos turnos de trabalho para quem não faz parte do contingente de manutenção da operação. Para os consultores masters, a retenção será de 30%; para os gerentes, assistentes e consultores sêniores, será de 25%; para os gerentes setoriais, coordenadores e consultores, de 20%; para os assessores, de 20%; e para os supervisores, de 10%.

Na semana passada, a Petrobras já havia anunciado a postergação da remuneração de 30% do presidente, diretoria, gerentes executivos e gerais e conselheiros de administração.

Nesta quarta, foram informadas também mudanças nos turnos de trabalho para aqueles que não estão na operação produtiva. De abril a junho, a carga diária cai de 8 horas para 6 horas, e o salário, 25%. "Temos confiança de que vamos superar esse momento de incerteza" conclui a empresa, destacando já ter superado outros períodos de dificuldade.