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Economia Zona do euro se prepara para falências após fim de auxílios


Zona do euro se prepara para falências após fim de auxílios


Segundo Comissão Europeia, sem o apoio financeiro dos governos, 23% das empresas teriam ido à falência em 2020 

  • Economia | Da EFE

Garantias, linhas de crédito, isenções de impostos e moratórias ajudaram empresas da UE a sobreviver na pandemia

Garantias, linhas de crédito, isenções de impostos e moratórias ajudaram empresas da UE a sobreviver na pandemia

AP

Os ministros da Economia e Finanças da zona do euro começaram a preparar o terreno para enfrentar o aumento das falências de empresas que podem ocorrer quando o apoio público mantido até agora durante a pandemia do coronavírus for retirado, mas acreditam que ainda não chegou o momento de reduzir a ajuda.

"O Eurogrupo acredita que é necessário manter o apoio ao orçamento enquanto for necessário e que há um risco inerente de retirá-lo muito cedo", declarou o presidente do bloco, Paschal Donohoe, em entrevista coletiva após reunião realizada por videoconferência.

Mas ele também reconheceu que, à medida que a crise sanitária emerge, a resposta à crise terá que se adaptar gradualmente a partir do apoio emergencial que tem sido fornecido até agora para medidas mais direcionadas à recuperação.

Riscos de quebras

O apoio fiscal prestado até agora na forma de garantias, linhas de crédito, isenções de impostos e moratórias, entre muitas outras medidas, ajudou a manter as empresas em funcionamento apesar das restrições do coronavírus. Porém, com o fim de alguns auxílios e a redução de outros, o risco de falência e insolvência reaparecerá.

Segundo a Comissão Europeia, sem esse apoio, 23% das empresas da União Europeia teriam sido retiradas de caixa até o final de 2020 após esgotarem suas reservas e a proporção varia por setor, desde 8% na fabricação de equipamentos de TI, até 75% nos serviços de hospedagem e alimentação.

"Temos que evitar um grande aumento das insolvências e, para isso, será crucial administrar cuidadosamente a retirada do apoio público", declarou o comissário de Economia, Paolo Gentiloni, após a reunião.

"Para isso, o primeiro passo será passar gradualmente de uma abordagem geral para ações mais específicas, fazendo a distinção, que não é fácil, entre empresas viáveis e inviáveis. Ao mesmo tempo, será necessário manter um canal de crédito efetivo, especialmente para as menores, e organizar uma saída ordenada das empresas que são consideradas inviáveis", completou o economista.

A questão subjacente é como garantir a solvência das empresas que teriam sido viáveis não fosse a pandemia, ao mesmo tempo em que se deixa de lado, ordenadamente, aquelas que teriam ido à falência de qualquer forma.

"Temos que tomar a decisão certa para enfrentar os desafios de insolvência do setor nos próximos meses e anos, tendo em mente as implicações sociais: estamos lidando com empregos e pessoas, não apenas com entidades abstratas", frisou Gentiloni.

Nesse complexo exercício de distinção, os países planejam contar com o conhecimento especializado do setor privado, disseram nesta semana fontes do Eurogroupo.

Os ministros voltarão ao assunto em sua reunião de abril, em que deverão discutir as leis nacionais de insolvência, que diferem muito de país para país. "Precisarão ser flexíveis para minimizar os danos econômicos", afirma Donohoe.

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