25% dos estudantes da rede pública conseguiram acessar aulas online

Plataforma da Apeoesp aponta que estudantes não conseguem acessar a internet e não participam das aulas remotas. Falta controle de frequência

Falta controle de frequência dos estudantes

Falta controle de frequência dos estudantes

Christiano Antonucci/Secom-MT

Estudantes e professores tiveram de se adaptar ao ensino remoto nesse período de pandemia de covid-19. Com as escolas fechadas, as aulas passaram a ser realizadas via internet e, na rede pública estadual de São Paulo, também são televisionadas. No entanto, a baixa frequência preocupa — apenas 25% dos alunos estão assistindo as aulas pela internet.

Professores denunciam  as dificuldades que boa parte dos alunos da rede pública enfrentam por não terem acesso à internet ou condições adequadas de acompanhar as aulas em casa. A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) lançou uma plataforma em que os professores, de maneira voluntária, apontam diariamente a participação dos alunos da rede estadual.

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No primeiro levantamento, realizado entre os dias 21 e 23 de maio, dentro de um universo de 50,4 mil alunos com frequência possível nas aulas remotas, apenas 13 mil conseguiram se conectar com seus professores.

Segundo a Apeoesp, participaram da enquete, neste período, 186 professores. As cidades que contaram com maior frequência de alunos a distância foram São Bernardo do Campo (78,8%); Mogi Mirim (75%) e Mauá (66%). Já as que tiveram menor índice são Caraguatatuba (2%); Presidente Prudente (5%) e Osasco (7%).

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Para a deputada Maria Izabel Azevedo Noronha, a professora Bebel, presidente do sindicato, a principal preocupação está na desigualdade social que fica mais evidente com a pandemia de coronavírus. “Vale lembrar que 66% dos brasileiros de 9 a 17 anos não acessam a internet em casa, de acordo com pesquisa do Cetic (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação)”.

"Nos três dias de enquete, apenas 25% dos estudantes conseguiram se conectar e acompanhar a aula a distância. A internet não pode ser a única solução encontrada pelo governo do estado. Outras alternativas devem existir como, por exemplo, programas educativos e de incentivo à leitura pela TV e pelo rádio, sem substituir o ensino presencial, que deve ser retomado após a pandemia", defende a deputada.

"Não queremos um calendário burocrático, mas um calendário pedagógico, que atenda de fato os estudantes, não há um controle de quem tem acesso, da frequência dos alunos e é necessária uma atuação mais forte por parte da secretaria," avalia.

Procurada, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo informa que o governo disponibiliza “internet gratuita para seus 3,5 milhões de alunos e mais de 180 mil professores da rede pública de ensino. A iniciativa foi viabilizada em tempo recorde”. 

Ainda segundo a nota enviada pela secretaria, “para que nenhum aluno fique para trás neste processo de aprendizagem, além dos dois aplicativos do Centro de Mídias SP e produção de manuais de orientações de estudo e distribuição de kits, as aulas estão sendo transmitidas, ainda, pela TV Educação e TV Univesp. De acordo com a pesquisa amostral TIC Domicílios do Cetic.br, 97,4% dos domicílios no estado de SP possuem televisão.” 

O aplicativo do Centro de Mídias SP teve 2,8 milhões de downloads, conta com 700 mil seguidores nas redes sociais e, até o momento, obteve mais de 1,6 milhão de acessos de alunos. A Secretaria planeja oferecer aulas de reforço para os estudantes após a pandemia.