Aulas suspensas mudam a rotina e criam desafio para as famílias 

Sem poder deixar as crianças com os avós, pais precisam contar com a solidariedade de amigos e do apoio das empresas neste momento

Suspensão das aulas geraram um problema para os pais, que não tem onde deixar as crianças

Suspensão das aulas geraram um problema para os pais, que não tem onde deixar as crianças

Pixabay

Com a suspensão das aulas nas escolas da rede pública e privada, muitas famílias não sabem como equilibrar a rotina de trabalho com as crianças em casa. A  orientação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi expressa: nada de deixar a molecada com os avós, o maior grupo de risco da doença Covid-19. 

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Muitas empresas liberaram seus funcionários para trabalhar em casa, mas quem não tem essa opção? O que fazer? Não existe solução fácil e o momento exige criatividade, paciência e muita solidariedade.

"A primeira coisa que fizemos em casa é explicar que não estamos de férias, que é um momento que exige paciência, não vamos passear ou circular por aí, a transmissão do vírus é muito fácil e temos de fazer a nossa parte", explica a educadora financeira Teresa Tayra.

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Teresa teve de mudar a rotina para conseguir cuidar dos três filhos, sendo que os pequenos têm 6 anos e 5 anos. Não teve jeito, a negociação foi o caminho encontrado para equilibrar trabalho e família. "Faço o possível pelo computador, estou em home office e com horários mais flexíveis."

A analista de projetos Priscilla Martins tem uma filha que estuda no período da manhã. A tarde conta com o apoio de uma cuidadora para a filha. Com a chegada do coronavírus ao Brasil, a empresa ampliou o trabalho em casa para três vezes por semana. Mesmo assim, dois dias estão descobertos.

"Como meu marido trabalha na mesma empresa, fazemos um rodízio e trabalhamos em casa em dias diferentes", conta. "Mas, e as mães que não têm essa opção? Vamos levar essa pauta para ser discutida na empresa e ver o que é possível fazer para ajudar a todas."

É o caso da Ana Luíza Viola, dona de um pet shop. O filho de 8 anos fica no período integral e faz as principais refeições na escola. A avó tem mais de 80 anos e não pode ficar com o neto nesse período. "Não posso parar de trabalhar, ele terá de vir comigo todos os dias, vou ter de organizar o trabalho, atividades para ele e também a alimentação," conta. Ana é filha única e ainda terá de monitorar a saúde da mãe.

O problema ultrapassa fronteiras. Na Argentina, as escolas também estão com as aulas suspensas ao menos até o fim deste mês e as fronteiras foram fechadas. Débora Molina chegou ontem ao país e já ficou em quarentena e ainda assinou um termo de responsabilidade de que não pode sair de casa. "Aqui não tem alternativa, as crianças ficam com os pais em casa."

Para tentar amenizar o drama das famílias, uma mãe compartilhou uma série de dicas no Instagram que podem ser muito úteis. Luiza Correa, do Maternar, deixa claro que a família não deve exigir demais. "Não dá para se cobrar e querer fazer tudo simplesmente porque é impossível dar conta de cuidar das crianças e do trabalho ao mesmo tempo."

Reprodução/Luiza Correa_Maternar

A primeira dica é dividir a jornada com o pai da criança, com algum parente ou com uma pessoa de confiança. "Eu fico com meu filho no turno da manhã e meu marido à tarde. Assim, ele trabalha num período e eu em outro".

Convidar os filhos para participar da rotina da casa, não como uma obrigação, mas de forma divertida. "A ideia não é que façam com perfeição as tarefas, mas que estejam ocupados enquanto você precisa lavar uma louça, por exemplo". 

Também aproveitar o soninho ou deixar atividades para a noite, depois que as crianças dormem, pode ajudar. Cozinhar em grande quantidade e congelar facilita a rotina.

Para quem não tem a possibilidade de trabalhar em casa, pode contar com a solidariedade de outras mães. "Muitas têm feito rodízio para ficar com mais duas crianças, claro, que não tenham sintomas. Uma forma de ajuda mútua para que todas possam trabalhar."