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Educação Como falar sobre pandemia e morte com crianças e adolescentes?

Como falar sobre pandemia e morte com crianças e adolescentes?

Assunto mais do que presente nos noticiários e rodas de conversa deve ser discutido em casa para evitar medo e ansiedade, segundo especialistas 

Pais devem ter conversa franca com os filhos para tratar da pandemia

Pais devem ter conversa franca com os filhos para tratar da pandemia

Pixabay

Nem tem como fugir do assunto: a pandemia causada pelo novo coronavírus toma conta do noticiário e das rodas de conversa. E como ficam as crianças e os adolescentes em meio a tudo isso? O R7 ouviu especialistas para explicar como a família deve conversar com os mais novos e, também, como lidar com a morte, muitas vezes, um tabu.

Se para os adultos viver em isolamento não é fácil, para as crianças pequenas, muitas vezes, é difícil entender por que não podem mais ir para a escola, não podem brincar com os amigos ou visitar os avós. A psicopedagoga Patrícia Marques explica que essa nova situação gera angústia e cada criança vai reagir de uma maneira.

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"Algumas ficam em silêncio, outras ficam mais ansiosas e agitadas, cabe aos pais entender quais são as dúvidas da criança, como ela está vendo essa questão da pandemia, não podemos dar informação demais, nem de menos", explica.

Para a psicóloga Priscila Gasparini, é muito importante falar a verdade para as crianças. "Eles estão ouvindo tudo, acompanham e sentem o que está acontecendo, é preciso explicar com uma linguagem acessível." 

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Crianças pequenas entendem de maneira mais concretra. A sugestão é explicar que existe um "bichinho" no ar que pode causar uma doença e para evitar é melhor ficar em casa, lavar bem as mãos, mas que tudo isso vai passar. "Toda a criança precisa entender o motivo, não basta dizer não, ela precisa saber o porquê."

Patrícia orienta que os pais deixem que a criança fale. "Os pais devem ouvir o que a criança tem a dizer e a partir daí explicar, seja por meio de uma conversa, de um desenho", diz. Também é preciso que a família mostre que a casa é um ambiente seguro e que tudo isso vai passar.  "A criança precisa ser acolhida e é o que vai diminuir os sentimentos de angústia e medo."

As especialistas também destacam que é preciso falar sobre a morte, o que para muitos ainda é um tabu. "Muitas famílias optam por não tocar nesse assunto, mas a criança precisa ouvir sobre a morte para aprender a lidar e o trauma ser menor na falta de uma pessoa querida," explica Patrícia.

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O ideal é lidar com o assunto de uma maneira serena e mostrar que a morte faz parte da vida. Contar histórias e dizer que apesar das perdas, quem fica precisa seguir em frente. "Mostrar o ciclo de vida da planta ou mesmo dos bichinhos de estimação, explicar que um dia eles vão embora, mas as lembranças boas ficarão", destaca a psicopedagoga.

"Em caso de uma perda, a criança entende de maneira simbólica a ausência: dizer que foi para o céu, que virou uma estrelinha e que a pessoa não estará mais no convívio", destaca Priscila.

Patrícia destaca que com os adolescentes, a conversa também precisa ser franca. Nessa fase, há a necessidade de conviver mais com os amigos. "Tem o medo e a insegurança de não saber quando as aulas vão voltar, como será a vida, fora que alguns querem ir pra rua e acham que nada vai acontecer, o ideal é ouvir, saber as angústias e mostrar o porquê da quarentena".

Ainda, na visão da psicopedagoga, com os adolescentes é preciso estabelecer uma rotina, os pais não devem permitir que eles fiquem no celular até de madrugada e mostrar que não estamos em férias. "A família deve criar uma rotina com a participação dos adolescentese transformar esse momento em uma oportunidade de estar mais próximo, conviver mais e fazer coisas junto como assistir filme que todos gostam."

E a conversa também deve estar presente na caso de uma morte. "É preciso deixar claro que tudo o que era possível foi feito para não gerar revolta e explicar que não é possível, neste momento, acompanhar um velório", observa Priscila. 

A psicóloga destaca que a família deve ficar atenta ao período de luto, que não deve passar de dois meses. "Se a criança ou adolescente não assimilar a perda nessa fase é preciso buscar ajuda psicológica."

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