Coronavírus coloca escolas e pais em alerta em São Paulo

Colégios aproveitam o surto para colocar em prática ações de conscientização sobre prevenção e higiene. Também usam a doença como tema de aula 

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O coronavírus é o assunto do momento no noticiário, em rodas de conversa e nos grupos de Whatsapp. Após a confirmação de dois casos do novo vírus em São Paulo, pais e escolas ficaram em alerta e medidas são tomadas para evitar a contaminação das crianças.

Algumas escolas tomaram medidas exageradas como a quarentena de alunos. Outras transformaram o assunto em tema na sala de aula.

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A rede pública estadual iniciou na última segunda-feira (2) uma série de ações de prevenção ao Covid-19. De acordo com a Seduc-SP (Secretaria Estadual de Educação), as escolas devem realizar um “Dia D” com palestras de especialistas e dicas de higiene e cuidados pessoais.

A EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) Profª Ana Maria Popovic, por exemplo, localizada no bairro da Lapa, decidiu adotar o seu próprio plano de prevenção com atitudes simples.

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“A prevenção se faz todos os dias”, afirma Valéria Cisneros, assistente de direção da EMEI. A escola intensificou a higienização das mesas, disponibilizou álcool gel nas salas de aula e promoveu rodas de conversa com médico pediatra.

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Escolas particulares também investem na prevenção. A Abepar (Associação Brasileira de Escolas Particulares), por meio de nota, recomendou que as escolas mantenham as aulas regularmente e os alunos e as famílias sejam orientados sobre medidas de higiene adequadas para evitar contaminação.

No texto, a Associação orienta que famílias e alunos que viajaram a países com mais casos de coronavírus devem procurar as autoridades sanitárias no caso de haver sintomas de gripe (febre, dor de garganta e dificuldades respiratórias).

Alguns colégios, como o americano Avenues, orientam famílias que estiveram em países atingidos pelo coronavírus fiquem em quarentena por 14 dias após retornar de viagem.

Outros aproveitam o momento para desenvolver em sala de aula um projeto pedagógico. Na Escola Santi, os alunos entendem o funcionamento do vírus, as formas de contágio e a prevenção. Os estudantes produzem infográficos educativos para toda a comunidade. "A ideia surgiu por meio de uma demanda da sociedade de compreender melhor a expansão do coronavirus", explica o professor Stefan Bovolon, responsável pelo projeto.

Segundo Bovolon, os informativos auxiliam no combate e "na disseminação de várias notícias falsas, levam informações importantes que auxiliam a compreender melhor o contexto e a situação. Somente dessa forma podemos tranquilizar a população sobre a doença."

Ele também não é a favor da quarentena nas escola. "Minha visão como professor especialista na área de saúde é que as medidas são um tanto exageradas, uma vez que não impedem de fato a disseminação viral," explica. "Considerando que a prevalência de mortalidade (próximo de 2%) da população atingida ocorre principalmente em idosos e pessoas com algum comprometimento do sistema imune. Claro que as escolas têm a liberdade de tomar tais decisões, mas pouco vai proteger o público que a frequenta."

Campanhas de conscientização, rodas de conversa e informação são as melhores armas contra o surto.

*Estagiário sob supervisão de Karla Dunder