Crianças a partir de 10 anos fazem intercâmbio no Reino Unido

Psicanalista conta como escolher o programa certo em viagem sem os pais

Marina Orsini fez curso no Reino Unido
Marina Orsini fez curso no Reino Unido Reprodução/Arquivo pessoal

Marina Orsini, de 11 anos, passou as férias de julho estudando inglês no Reino Unido, em um programa de intercâmbio, sem os pais. Viajou com uma turma pequena de pré-adolescentes de até 13 anos. A jovem menina é mais uma entre várias crianças que estão se jogando na primeira experiência internacional sem os pais.

Além do idioma, teve que aprender a viver sob as regras de outra cultura, comida regrada e diferente, cuidar das suas coisas em dormitório com os coleguinhas de quarto. Tudo muito longe dos mimos da família, em São Paulo, o que, para especialistas, é uma chance muito boa de crescimento e amadurecimento.  

— Fomos em uma turma e com um tutor. Quando a gente despede dos pais no aeroporto dá um gelo na barriga. Mas depois, você faz novas amizades e aprende muito, muito além do inglês.

Antes voltado apenas para adolescentes e jovens estudantes, esse tipo de viagem tem ganhado espaço também entre as crianças e adultos na terceira idade.

Segundo a Belta (Associação das Agências de Intercâmbio), os investimentos em viagens para estudar só cresce. Em 2016, o brasileiro passou a investir, em média, US$ 8.900 (cerca de R$ 28 mil) numa viagem educacional, 82% a mais que em 2015. Agora, tudo indica que isso vai começar ainda mais cedo. No Brasil, essa foi a primeira turma de crianças a partir de 10 anos sozinhas. Isto é, com tutores, mas sem os pais.

De acordo com a psicanalista Vera Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), quando muito bem-organizados e com alguns requisitos cumpridos, programas como esse só ajudam as crianças.

A especialista alerta para o que deve ser observado pelos pais na hora de fechar a viagem. "Em primeiro lugar, a criança tem que ser acostumada a estar longe da família e assim ter um pouco de autonomia, como participar de acampamentos ou ser acostumada a dormir na casa de amigos".

Depois, a psicanalista aponta que o grupo a viajar, bem como os tutores que acompanharão as crianças, têm que se reunir muito antes, com frequência, para que seja familiar à criança e aos pais.

"A criança tem que se sentir segura de que poderá relatar qualquer desconforto para o tutor que acompanha. Por isso, reuniões feitas muito antes da viagem são  muito importantes. Se bem organizado, certamente é uma experiência muito proveitosa para a criança".

Em muitos lugares do mundo, crianças entre 10 e 13 anos já viajam para estudar longe dos pais. No Brasil, ainda é raro. Marina fez um programa inédito, foi o primeiro grupo bra no qual passou três semanas das suas férias uma escola-castelo no interior da Inglaterra, a EF Rookesbury.

O programa combina atividades lúdicas, esporte e até visita guiada aos estúdios do Harry Potter, em Londres, além da integração com estudantes do mundo todo. Eles viajam em grupo, acompanhados por um líder, desde a saída até a chegada de volta ao Brasil.

“Ao contrário do que estamos acostumados a pensar, as crianças nessa faixa etária já se sentem preparadas para fazer um programa como esse. Muitas delas já tiveram experiências em acampamentos de férias e se sentem entusiasmadas” explica Andrea Arakaki, diretora geral da EF no Brasil.

Outros programas de intercambistas também aceitam crianças, mas acompanhadas das famílias, nunca sozinhas.

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As crianças dormem na própria escola EF Rookesbury, acima, que fica perto de Londres
As crianças dormem na própria escola EF Rookesbury, acima, que fica perto de Londres Reprodução