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Educação Escolas devem se preocupar com o emocional, diz especialista

Escolas devem se preocupar com o emocional, diz especialista

Retorno às aulas presenciais deve equilibrar o conteúdo com o acolhimento e desenvolvimento de habilidades socioemocionais das crianças

  • Educação | Karla Dunder, do R7

Patrícia Franck, mãe de Lucas, 6 anos

Patrícia Franck, mãe de Lucas, 6 anos

Arquivo Pessoal

A tradutora Patrícia Franck, como muitas mães neste período de isolamento social para o combate do novo coronavírus, divide seu tempo entre o home office e as atividades com o filho. Lucas, de 6 anos, não se adaptou muito bem às aulas online e o acolhimento da escola fez a diferença.

"No começo ele até estava empolgado, mas passou a achar tudo muito chato e a se recusar a participar das atividades", conta. "Vi meu filho arredio, rebelde e resolvi conversar e acompanhar uma aula e a professora foi fantástica, ela deu espaço para que meu filho falasse de seus sentimentos e ela soube ouvir."

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Lucas contou para a professora que não gostava da aula online porque queria estar "pertinho" dos amigos. A aula, então, teve como foco a situação atual, os cuidados durante a pandemia, mas acima de tudo como Lucas poderia lidar com seus sentimentos. "No final, ela perguntou se a mamãe poderia dar um abraço e assim terminamos a aula de uma maneira muito acolhedora, o que fez a diferença para ele continuar com as atividades."

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Para Patrícia o cuidado da escola em ouvir os sentimentos de seu filho foram essenciais para lidar com o isolamento social. Para a especialista Débora Schäffer, responsável pelo Programa Soul, "todas as emoções estão em um volume alto neste momento, importante que as crianças aprendam a entender os seus sentimentos para que possam lidar com eles."

"Neste momento que as escolas se preparam para a volta, os professores precisam estar preparados para acolher as crianças, conversar e saber ouvir, ter equilíbrio entre conteúdo e a saúde mental", diz. "Quando temos alunos mais focados, mais presentes, com habilidades sócioemocionais desenvolvidas, com certeza o  aprendizado terá mais qualidade."

Segundo a especialista, neste momento as escolas devem desenvolver habilidades como fortalecer o sentimento de empatia, aprender a gerir as emoções e resolver os problemas de forma segura e responsável.

O programa Soul é a versão brasileira do Second Step, um programa norte-americano que desenvolve as habilidades socioemocionais e está presente em mais de 70 países. O programa também desenvolve o autoconhecimento, busca a formação integral dos alunos e utiliza o mindfulness.

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