Estudantes contestam resultado do Enem com representações no MPF

Desde a confirmação de erro na correção do Exame Nacional do Ensino Médio, unidades regionais do órgão vêm recebendo queixas em série 

Estudantes contestam resultado do Enem com representações no MPF

Minas Gerais lidera o ranking de reclamações

Minas Gerais lidera o ranking de reclamações

Frederico Brasil/Estadão Conteúdo

Estudantes de diversas regiões de Brasil continuam descontentes com as notas e soluções apresentadas pelo Ministério da Educação desde a confirmação, no sábado (18), de um erro na correção do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2019 — problema que teria afetado cerca de 6 mil candidatos.

Desde então, ao menos cinco Procuradorias Regionais do MPF (Ministério Público Federal) já contabilizaram queixas contra o resultado. O número, conforme apuração preliminar da reportagem do R7, pode ser ainda maior.

Minas Gerais lidera o ranking de representações. O estado já acumula 97 registros desde a disponibilização das notas pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). De ontem para hoje, foram mais 17 casos. 

O MPF de São Paulo recebeu ao todo 13 reclamações desde a divulgação oficial do resultado. Do total, 12 foram apresentadas à instituição na terça-feira (21), data que coincide com a abertura do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) — mecanismo que utiliza os resultados do exame no processo de ingresso à 128 instituições de ensino superior públicas.

Já no Distrito Federal, o número de representações contabilizadas pelo órgão no período chega a oito. De acordo com a PR-DF, os casos foram reunidos em um único procedimento administrativo e ainda estão sendo analisados pelos procuradores.

No Ceará, a Procuradoria Federal já acumula seis casos que contestam os resultados da prova. Em Marabá, município localizado no sudeste do Pará, o MPF recebeu, até o momento, apenas uma contestação.

Procurado, o Ministério da Educação informou que encaminhará, em breve, esclarecimentos ao Ministério Público Federal. 

Pedido de esclarecimento

Na terça-feira (21), a DPU (Defensoria Pública da União) no Distrito Federal, por meio da defensora regional de direitos humanos, Larissa Amantea Pereira, encaminhou um ofício ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) — órgão responsável pelo Enem — solicitando informações em relação aos erros constatados pelos participantes. 

De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, a defensora só deve avaliar possíveis ações para que não haja prejuízos aos estudantes após resposta do Ministério da Educação. Na segunda-feira (20), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou durante coletiva de imprensa que a falha de correção do Exame Nacional do Ensino Médio havia atingido cerca de 6 mil provas e ressaltou que ninguém seria prejudicado no Sisu.

Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, publicada na segunda, apurou que mais de 75 mil candidatos haviam pedido a revisão das notas e, que, segundo a pasta, só foram constatados os seis mil casos com erro.

Pedido de suspensão do Sisu

Sisu apresentou lentidão no primeiro dia de inscrições

Sisu apresentou lentidão no primeiro dia de inscrições

Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo

A PFDC (Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão), órgão vinculado ao MPF (Ministério Público Federal), encaminhou na segunda-feira (20) ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, ofício no qual solicitava que a abertura das inscrições para o Sisu (Sistema de Seleção Unificada) fossem suspensas até que as falhas ocorridas no Enem sejam solucionadas.

No entanto, após a revisão das provas, o Ministério da Educação decidiu manter a abertura das inscrições para o Sisu. O fim do prazo, que acabaria na sexta-feira (24) foi estendido até domingo (26) por conta dos problemas na correção do exame.

Sisu 2020: Instabilidade e lentidão marcam primeiro dia de inscrições

O resultado está programado para ser divulgado no dia 28 deste mês. São 237 mil vagas em 128 instituições de ensino superior públicas.