Estudantes e cursinhos enfrentam os desafios da pandemia

Quarentena coloca em evidência as desigualdades entre estudantes e cursinhos populares perdem alunos e sofrem para manter ritmo de aula

Cursinhos e vestibulandos enfrentam desafios na pandemia

"O ensino a distância não contempla a todos", diz Sandyellen

"O ensino a distância não contempla a todos", diz Sandyellen

Acervo pessoal

A pandemia do novo coronavírus mudou a rotina de estudantes de todo o país, principalmente por conta das aulas remotas. 

Sandyellen Cristinny, de 17 anos, está no terceiro ano do ensino médio. A jovem, que mora no Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo, tem o sonho de fazer uma faculdade de Direito. Para isso, acompanha as aulas a distância de um cursinho popular. 

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Para Sandyellen as aulas remotas prejudicam os estudantes de baixa renda. "O Brasil é um país desigual. O ensino a distância não contempla a todos e não se compara às aulas presenciais, que são bem mais práticas e fáceis". 

A falta de equipamentos adequados para estudar é outro fator que atrapalha. "Estamos enfrentando uma pandemia e as escolas e bibliotecas estão fechadas. Minha maior dificuldade é não ter um computador, mas já me sinto privilegiada por ter acesso à internet".

"Sinto um desânimo constante e é difícil manter a concentração com a família toda em casa", desabafa.

A quarentena também impôs desafios para as instituições de ensino. Fora o impacto financeiro, os cursinhos também tiveram de se adaptar.

Daniel Perry, diretor do Anglo Vestibulares, conta que a estrutura do curso teve que passar por uma "transformação digital total". Segundo ele, o cursinho busca dar suporte ao máximo as alunos por meio de plataforma, além de fornecer apoio psicológico online.

O Anglo abriu as aulas para o público através do site, de forma gratuita. Para Perry, uma maneira de contribuir com aqueles que mais precisam durante esse período de quarentena.

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O cursinho popular Mafalda, que perdeu quase 30% de seus alunos, tem sofrido com dificuldades técnicas e sociais. A presidente do cursinho, Talita Amaro, explica que a falta de equipamentos adequados e de internet por parte dos estudantes na condução das aulas e dos estudos. Problema que têm sido superados aos poucos.

Para ela, o adiamento do Enem 2020 (Exame nacional do ensino médio) é algo positivo, embora acredite que o MEC não tenha ouvido a sociedade civil, e esperado uma pressão do Senado. "O grande benefício dessa ação é a possibilidade dos alunos participarem da consulta pública", conta.

*Estagiário sob supervisão de Karla Dunder