Coronavírus

Educação Estudo da Apeoesp aponta que 15% dos alunos deixaram a escola

Estudo da Apeoesp aponta que 15% dos alunos deixaram a escola

Pesquisa também destaca que 80% dos pais de alunos e professores temem retorno presencial à escola

  • Educação | Karla Dunder, do R7

15% dos estudantes não estudaram durante a pandemia de covid-19, segundo pesquisa

15% dos estudantes não estudaram durante a pandemia de covid-19, segundo pesquisa

Christiano Antonucci/Secom-MT

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP) divulgou nesta sexta-feira (30) a pesquisa Percepção de professores, pais e estudantes sobre os impactos da pandemia na escola pública do estado de SP e as aulas presenciais. O estudo foi conduzido pelo Instituto Vox Populi e aponta que 15% dos estudantes da rede pública deixaram a escola e 80% dos pais de alunos e professores estão com medo do retorno presencial às escolas.

As aulas virtuais foram reprovadas pela comunidade escolar: professores (66,9%), pais (74,7%) e alunos (73,9%), mas, mesmo assim, 85,6% dos professores, 81,8% dos pais e 76,1% dos alunos têm medo da contaminação pela covid-19 no retorno precipitado às aulas presenciais.

O estudo também mostra que 15% dos estudantes do estado de São Paulo deixaram a escola durante a epidemia de covid-19. Esses alunos não acompanharam o ensino remoto por falta de acesso à internet ou de equipamentos como computadores ou celulares, além da necessidade de trabalhar. Apenas 56% dos alunos ouvidos se dedicam apenas aos estudos.

"O abandono se dá pelo fato do estudante não ter acesso à internet, aqueles que acessaram tiveram com conexão de baixa qualidade", destacou a presidente da Apeoesp, professora Bebel. "Se estivéssemos na era digital, mesmo trabalhando, os estudantes conseguiriam acessar as aulas, a questão central é oferecer aos estudantes acesso de banda larga e colocá-los em sintonia com o momento tecnológico que vivemos."

Para João Palma Cardoso Filho, é ex-secretário adjunto estadual da educação, o momento exige a busca ativa desses estudantes. "O governo do estado deve focar em recuperar o que foi perdido e não investir em um novo ensino médio, não é o momento."

Metade dos entrevistados afirmaram que não receberam nenhum suporte para trabalharem ou
estudarem remotamente, como equipamentos, pacote de dados para acesso à internet ou mesmo help desk do governo ou da escola para as aulas remotas. Entre os pais de alunos, essa reclamação chega a 73,8%. Entre os alunos do ensino médio, 63,2% também não teve este apoio e, entre os professores, 54,3%.

Os estudantes, 94%, acompanharam as aulas online pelo celular e muitos compartihavam o aparelho com outros membros da família. 

A pesquisa mostra que os professores trabalharam mais, 10 horas diárias, mas 87,3% dos pais
e 84,1% dos alunos de ensino médio, as horas dedicadas ao estudo foram inferiores ao normal. Ainda entre os pais, 51,1% afirmaram que os filhos ficaram apenas de 2 a 3 horas na aula por dia, e 24,3% só 1 hora.

O estudo ouviu 3.600 pessoas em todo Estado, entre professores (1.500), pais de alunos (1.500) e estudantes de ensino médio (600), entre junho e julho deste ano. O estudo tem recortes por capital, região metropolitana e interior, e também por níveis de ensino - educação infantil, ensino fundamental e médio.

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