'Eu tive de gravar dez vezes o primeiro vídeo', diz professora

Profissionais da educação precisam se adaptar ao novo modelo de aulas enquanto escolas estão fechadas por coronavírus

Escolas estão fechadas por coronavírus

Escolas estão fechadas por coronavírus

Robson Mafra/AGIF/ Estadão Conteúdo - 24.03.2020

Lúcia Regina de Lima Nunes, de 50 anos, diz que não se sente muito à vontade ao falar para a câmera. Mas agora tem um estúdio improvisado em casa, onde a filha a filma com celular. Lúcia dá aulas para crianças de 4 e 5 anos em uma escola particular de Natal. Teve de entrar na educação a distância há duas semanas, quando a instituição fechou as portas por causa do coronavírus.

"O primeiro vídeo tive de gravar dez vezes, eu estava muito séria, não é como estar com as crianças na sala", conta Lúcia. "A maior dificuldade é não saber como estão recebendo a aula que gravei." Ela se diz assustada com a situação atual, com os casos que não param de crescer, e a filha que mora em São Paulo.

Pesquisa Instituto Península mostra que 90% dos docentes estão preocupados com a sua saúde. E já relatam problemas psicológicos. "Vejo o risco de isso aumentar. Com estrutura emocional abalada, os professores precisam ainda se ressignificar profissionalmente", diz a diretora executiva do instituto, Heloísa Morel.

O estudo também mostrou que a maioria dos professores da rede privada acha que seu papel neste momento é interagir com os alunos on line. Entre os de escolas públicas, os índices são baixos. Nas redes municipais e estaduais ainda são poucas as iniciativas de ensino remoto e os docentes foram colocados em férias.

"Professores, que tanto reclamavam que os alunos falam muito em sala em de aula, agora reclamam que ninguém fala nada. Todos são ensinados a deixar o microfone no mudo", brinca Bruno Romano Rodrigues, de 31 anos, professor de História no Colégio Mary Ward. "O professor fica um pouco sem chão quando falta a percepção do coletivo, de como está a turma, do que está dando certo, se precisa fazer pausa, uma piada. Definitivamente, o presencial é a maneira de concretizar o ensino e a aprendizagem.". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.