Educação Graduação ou escola técnica? Veja como planejar sua carreira

Graduação ou escola técnica? Veja como planejar sua carreira

É ao término do ensino médio que os jovens começam a ser cobrados. A família e a sociedade pedem que eles se tornem adultos e sigam a vida

Entrar em uma universidade ou fazer um curso técnico?

Entrar em uma universidade ou fazer um curso técnico?

ESTADÃO CONTEÚDO

Você já sabe o que vai fazer terminando a escola? Essa pergunta, que se repete a cada jantar em família ou encontro com parentes distantes, assusta a maioria dos adolescentes que estão saindo do ensino médio.

No primeiro momento o mais importante é o jovem escolher a área que gostaria de atuar ou a profissão que gostaria de exercer. O segundo passo é pensar em um plano de carreira e pesquisar se a sua escolha se encaixa melhor com uma graduação ou com um curso técnico.

Mapa do vestibular: veja a seleção de todas as universidades públicas

Algumas áreas ofecerem as duas opções, como por exemplo, gastronomia ou engenharia. Por isso, o estudante deve levar em consideração o tempo de estudo e o investimento financeiro. A maioria das graduções duram entre 4 a 5 anos, enquanto cursos técnicos levam de 3 a 4 semestres. O valor de investimento também é bem diferente de uma modalidade para a outra. Uma graduação particular pode custar, ao todo, entre R$ 19 mil e R$ 312 mil de acordo com o curso, a instituição e a duração da formação que a pessoa escolher. Os cursos mais caros costumam ser os de medicina, engenharia e odontologia, devido aos equipamentos utilizados. Já os cursos técnicos podem variar entre R$ 900 e R$ 7.000, dependendo da área que o aluno seguir.

Teoria ou prática?

"É um imperativo ter um diploma de graduação", afirma Eduardo Cordeiro, educador e consultor de educação corporativa. Para ele, o diploma que antes era um diferencial no mercado de trabalho e impulsionava a carreira de qualquer pessoa, hoje virou um pré requisito. "Só a graduação não basta. Estamos em um momento em que a pós-graduação está virando um requisito obrigatório para algumas vagas [no mercado de trabalho]", completa Cordeiro.

Curso técnico pode ser diferencial para conseguir emprego

O estudante que quer investir na vida acadêmica precisa estar ciente que irá demorar mais tempo para se colocar no mercado de trabalho, mas com um bom currículo consegue concorrer a cargos altos. Para o consultor, as universidades oferecem, além da formação teórica, uma formação essencial para o desenvolvimento da personalidade prossifional. "O curso superior oferece também desenvolvimento pessoal, dá uma base humanística, forma um cidadão."

No entato, o educador ressalta que uma graduação é essencialmente teórica e que muitos cursos oferecem menos atividades práticas do que deveriam. "Na maioriria das vezes, as instituições pecam nas atividades práticas. É nessas atividades que o estudante percebe se vai dar conta ou não do que espera que ele faça quando se formar."

Universidade: só 1/5 dos brasileiros chegam plenamente alfabetizados

Já a diretora da Etec Basilides Godoy, Carla Cristina Coutinho Garcia, explica que diferente do que se pensa, um curso técnico não limita a carreira do aluno na área escolhida. "Após fazer um curso técnico, o aluno pode fazer outros cursos específicos para se aperfeiçoar e crescer na profissão escolhida. Inclusive depois, ele pode buscar uma graduação na mesma área." Ela explica que cursos técnicos são ideais para pessoas que querem ingressar no mercado rapidamente ou experimentar na prática as áreas que gostariam de atuar.

De acordo com a diretora, os cursos técnicos preparam o aluno justamente focando nas habilidades que as profissões demandam. "Muitos alunos que fazem faculdade e curso técnico juntos relatam que lá [universidade] é muito mais teoria, aqui [curso técnico] é mais prática." Além disso, Carla ressalta que o ensino com a 'mão na massa' facilita a vida do aluno até mesmo dentro das universidades. "Alunos que fazem curso de mecatrônica, por exemplo, dizem que quando entraram na faculdade tiveram muito mais facilidade com o aprendizado do que outros alunos."

Mecânica está entre os cursos técnicos preferidos das mulheres

Como planejar a sua carreira

Para planejar que caminho seguir, é muito importante que o aluno se conheça, que ele saiba reconhecer quais são suas habilidades e talentos. Após fazer essa autoanálise, o próximo passo é escolher assuntos de interesse e listar as competências que cada curso exige. Por último, o estudante deve fazer um cruzamento entre seus pontos fortes e as exigências de cada área.

É na idade de conclusão do ensino médio que o jovem começa a ter suas habilidades estabelecidas. “Desde quando a pessoa está na barriga da mãe, ela começa a desenvolver sua psiquê, seja de pensamento, comportamento ou de emoções”, disse o coach profissional Gustavo Sansi. Para ele, é na faixa dos 16 anos que a pessoa constrói como ela é e o como ela gosta de fazer as coisas. “É nessa etapa que ela forma seu jeito de ver o mundo e de interagir com ele.”

Famílias com filho em curso técnico podem ter Bolsa Família maior

O coach explica que um adolescente já consegue ter a percepão se é, por exemplo, alguém que precisa colocar a mão na massa o quanto antes. “Eu, como alguém da ação, por exemplo, entendo que preciso de uma faculdade e um diploma, mas minhas habilidades pedem que eu comece a trabalhar logo, então a pessoa escolhe uma área técnica”, disse Sansi. “Mas há também quem só sinta a necessidade de começar a trabalhar quando perceber que está totalmente pronto para isso.” Para essas pessoas, então, faria mais sentido fazer uma universidade e só depois entrar no mercado de trabalho. Nos dois casos, o importante é saber usar suas habilidades respeitando o seu tempo.

"Se eu descobrir como eu funciono e quais são meus padrões pessoais, com certeza eu terei mais consciência do que eu busco, terei mais satisfação e um desempenho maior no mercado. Cada ser humano tem um modo único de ver e atuar no mundo, o segredo é descobrir qual é o seu e como fazer isso", conclui Sansi.

Estudante de 17 anos é aceita em mais de 100 universidades

*Estagiário do R7, com supervisão de Ingrid Alfaya