Enem 2019
Educação Jovem de cursinho popular vai para o segundo dia do Enem confiante

Jovem de cursinho popular vai para o segundo dia do Enem confiante

Sem prestar outros vestibulares, Rhuan Fernandes de Oliveira tem o exame como a única chance para a fazer faculdade de Letras a partir de 2020

Jovem da periferia aposta no Enem

Rhuan com o certificado de formatura do cursinho

Rhuan com o certificado de formatura do cursinho

Arquivo Pessoal

Depois de nove meses conciliando as aulas do terceiro ano do ensino médio com a carga horária em um cursinho popular gratuito, Rhuan Fernandes de Oliveira, de 17 anos, está confiante para o segundo dia de prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Ele mora e estuda em Itaquaquecetuba, no região Metropolitana de São Paulo. 

O jovem quer entrar no curso de Letras, e, depois de ter ido bem na primeira parte do exame (que aborda justamente ciências humanas e a redação), acredita que pode passar na faculdade dos sonhos em sua primeira vez prestando o Enem. "Não tenho uma faculdade específica, mas se eu conseguir entrar na USP ou na Unifesp, seria uma boa", conta. 

Além da preparação para o Enem, o tempo no cursinho Vestibulandos da Cidadania marcou o jovem pelos ensinamentos fora do campo acadêmico: "A gente vai além de sala de aula, vai para a cidadania. Vira uma irmandade, é algo incrível, inigualável".

Rhuan já considerou os cursos de Direito e Jornalismo, mas agora tem o foco na área atual, com objetivo trabalhar com a editoração de livros. Para conseguir a aprovação, ele estuda de manhã, tarde e noite, de segunda a domingo.

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O jovem de 17 anos não está prestando nenhum outro vestibular além do Enem — essa é a única chance de Rhuan entrar na faculdade no ano de 2020. Além da confiança, ele demonstra tranquilidade para a possibilidade de não ser aprovado: "Se esse ano não der certo, ano que vem a gente tenta novamente". 

Transformação no cursinho

Rhuan considera o cursinho onde estudou neste ano como um das suas mais fortes influências não só para exames e vestibulares. "Foi o lugar onde me moldei, aprendi a respeitar olhares diferentes, a ser cidadão. Mudei meu jeito de pensar e aprendi muita coisa, seja na área da Matemática, do Direito, ou da vida", explica. 

Ele também conta que desenvolveu o gosto pela leitura: "hoje estou lendo muito, tanto para o Enem quanto para meu lazer, de filosofia aos quadrinhos". Para ele, estudar virou um "hobby".

Com a chegada do último dia do exame, que será decisivo para ele, e o final da vida escolar, Rhuan já fala com saudade: "Parte da jornada é o fim. Se vir a faculdade está ótimo, mas o ensino médio fica na cabeça", finaliza. 

*Estagiário do R7, sob supervisão de Karla Dunder