MEC pede aos institutos federais que listem alunos que participam de ocupações

Para organização estudantil, medida é afronta à liberdade de manifestação

MEC pede aos institutos federais que listem alunos que participam de ocupações

O Paraná é o Estado que mais tem puxado as manifestações

O Paraná é o Estado que mais tem puxado as manifestações

Dirceu Portugal/ 14.10.16/ Fotoarena/ Estadão Conteúdo

Ofício do MEC (Ministério da Educação), enviado na quarta-feira (19), aos dirigentes dos IFs (institutos federais) solicita que eles remetam à pasta, em 5 dias, listas com os nomes de todos os estudantes que participam das ocupações contra o governo de Michel Temer. O documento é assinado pela titular da Setec (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica), Eline Neves Braga Nascimento.

Para a UNE (União Nacional dos Estudantes), a medida é "uma afronta à liberdade de manifestação, uma vez que não se sabe a finalidade de tal delação, podendo até ser punitiva". O último levantamento da Ubes (União Brasileira de Estudantes Secundaristas), divulgado nesta quinta-feira (20), aponta ocupações em 961 instituições de ensino em todo o País, 78 delas institutos federais espalhados por 18 Estados.

O ministro da Educação, Mendonça Filho, já afirmou que vai cancelar a aplicação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) — previsto para 5 e 6 de novembro — nas escolas ocupadas, caso os estudantes não recuem até o dia 31 de outubro. Ele informou, ainda, que a pasta acionou a Advocacia-Geral da União para "adotar providências jurídicas cabíveis com relação à responsabilização dessas ocupações", já que a aplicação de uma nova prova custaria cerca de R$ 8 milhões, segundo estimativas do MEC.

Os estudantes protestam contra a medida provisória que determinou a reforma do ensino médio, contra a PEC do Teto — que congela as despesas do governo, incluindo a área de educação, por até 20 anos — e também contra o projeto Escola Sem Partido. O Paraná é o Estado que mais tem puxado as manifestações, concentrando 85% de todas as instituições ocupadas no Brasil.

Não há nenhum instituto federal paranaense ocupado, mas a recomendação do MEC também causou efeitos no Estado. Segundo uma professora ouvida pela reportagem, houve uma orientação para que os diretores fizessem uma espécie de ata, reunindo o nome de todos os alunos participantes. O argumento era o de que a ata "legitimaria" a manifestação. Na escola em que ela leciona, na periferia de Curitiba, todos os alunos se recusaram a assinar.

No ofício, a Setec argumenta, para justificar a necessidade da lista, que "devem ser preservados os direitos dos estudantes ao acesso às atividades curriculares, a integridade da comunidade acadêmica, a incolumidade do patrimônio público e, ainda, a iminência da aplicação do Enem."

Diante das reações, o MEC lançou nota de esclarecimento, afirmando que, segundo relatos, participam das ocupações "pessoas que não pertencem à comunidade", o que poderia trazer prejuízos "à educação, ao patrimônio público e ao erário". "Para cumprir sua obrigação, a Setec precisa de informações oficiais", diz a pasta. No texto, o ministério ainda pede "bom senso" dos jovens para que desocupem as instituições até o dia 31, para tornar possível a realização do Enem.