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Educação Pesquisador brasileiro conta como superou isolamento na Antártica

Pesquisador brasileiro conta como superou isolamento na Antártica

Win Degrave é coordenador de pesquisa da FioAntar, núcleo da Fiocruz que pesquisa microrganismos no distante continente gelado

  • Educação | Karla Dunder, do R7

O pesquisador Win Degrave coordena o projeto FioAntar

O pesquisador Win Degrave coordena o projeto FioAntar

Fiocruz/Divulgação

Win Degrave é pesquisador da Fiocruz (Instituto Oswaldo Cruz) e coordenador da Fioantar junto ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). A FioAntar é o projeto de pesquisa da Fiocruz na Antártica, na base brasileira de Comandante Ferraz.

O pesquisador conta ao R7 como lidar com as dificuldades em um lugar não habitado e, principalmente, com o isolamento. Dicas importantes em tempo de isolamento social para combater o coronavírus no país.

Assim como todos que estão tracando em casa, o contato com a família é fundamental para lidar com o longo período de pesquisas no distante continente gelado.

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“Tínhamos um chip que permitia conversar com as pessoas no Brasil tranquilamente, o que nos dava uma sensação de proximidade, mas no navio durante a expedição para pesquisa, a comunicação era praticamente inexistente, foi uma semana mais difícil”, diz Degraves.

Para o pesquisador, além da comunicação, que pode ser feita por telefone, por aplicativos do celular ou por teleconferência no computador, também é preciso se procupar em manter a capacidade produtiva e as atividades físicas.

 “Importante manter o corpo ativo, assim como manter a rotina, se sentir útil e produtivo, não podemos deixar que a quarentena tire a cor do dia”, orienta o pesquisador brasileiro.

Os profissionais que se aventuram em uma expedição para a Antártica contam com um infraestrutura que ajuda a manter o corpo saudável. “No navio até a Antártica, fazíamos exercícios com o pessoal da Marinha, na base tínhamos uma sala usada para as atividades físicas”, lembra o pesquisador.

Aventura científica

Para chegar ao continente gelado, a equipe de pesquisadores passou primeiro por um treinamento intenso com a equipe da Marinha, além de acompanhar palestras sobre sobrevivência em meio ao gelo.

Pesquisador coleta amostras nas rochas da Antártica

Pesquisador coleta amostras nas rochas da Antártica

Fiocruz/Divulgação

A aventura começa quando os pesquisadores embarcam em um avião Hérculestiveram, da Força Aérea Brasileira (FAB) até o sul do Chile e depois ir de navio até a base Comandante Ferraz.

“A FAB é muito cuidadosa e só podemos viajar se as condições de vento e tempestades estiverem adequadas, ficamos na expectativa sem saber o dia exato da viagem”, relata o Degrave.

Ao chegar na Antártica, os pesquisadores enfrentaram a dificuldade de se adaptar aos alojamentos. A Base Comandante Ferraz foi destruída por um incêndio em 2012 e, após passar por uma reconstrução, foi reinauguradas e janeiro deste ano. Como o pesquisador da Fio Cruz desembarcou antes da conclusão das obras, ficou junto com sua equipe hospedado em um módulo de emergência.

“Ali convivemos com os engenheiros chineses, que não falavam português, nem inglês e dividimos um espaço relativamente pequeno”, conta Degrave.

Uma das memórias desse primeiro contato com o novo local de trabalho foi a dificuldade de se comunicar, pesquisadores, engenheiros e militares tiveram até que recorrer a mímica. “Foi até divertido e foi bom conhecer outras pessoas, diferentes culturas.”

A pesquisa longe de casa

Apesar da enorme variedade de organismos e de um ecossistema rico e diversificado, ainda são poucos os estudos sobre o impacto da Antártica sobre a saúde dos animais, dos seres humanos, ou sobre o próprio continente e a América do Sul.

“Nós pesquisamos os microrganismos que circulam entre os animais da Antártica e podem ser trazidos pelas correntes marinhas, pelo ar ou mesmo através de turistas, que vão até o continente, sobem geleiras e circulam por lá”, explica Degrave.

Coleta de musgo na Antártica para análise em laboratório

Coleta de musgo na Antártica para análise em laboratório

Fiocruz/Divulgação

Ao longo dos quatro anos de duração do projeto, os pesquisadores irão estudar vírus, bactérias, fungos, líquens e microbactérias e helmintos, que podem estar presentes nos animais que vivem ou circulam pela região, nas águas, nos solos, nas rochas e ainda no permafrost, que é um tipo de solo encontrado na região do Ártico e formado por terra, gelo e rochas que estão permanentemente congelados.

“Essas amostras são coletadas e analisadas por sete diferentes laboratórios, o que torna o conhecimento mais abrangente”, avalia.

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