Presidente do Inep afirma que ainda é cedo para adiar o Enem 2020

Alexandre Lopes não descartou mudança nas datas do Exame Nacional do Ensino Médio, mas afirmou que discussão precisa ser mais 'serena'

Alexandre Lopes não descarta adiamento do Enem

Alexandre Lopes não descarta adiamento do Enem

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Alexandre Lopes, não descarta a possibilidade de a data do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ser adiada, mas acredita que ainda é cedo para discutir a questão. O Inep é responsável pela aplicação da avaliação. 

"A data da prova pode ser modificada, mas discutir isso agora ainda é prematuro. Não há elementos suficientes para mudá-la. Precisa ser uma discussão mais serena e mais para o futuro. A data não pode ser mudada várias vezes. De todos os pedidos de adiamento que recebi, não tive nenhuma sugestão de data", disse Lopes nesta sexta-feira, 15, durante uma "live" promovida pela Evolucional, empresa que utiliza a tecnologia para produzir simulados pedagogicamente alinhados ao Enem.

Usando o mesmo argumento do ministro da Educação, Abraham Weintraub, o presidente do Inep citou que 60% dos candidatos do Enem já concluíram o ensino médio. "A maioria já concluiu. Dificilmente o aluno que sai do ensino médio da escola pública já ingressa direto na faculdade".

Segundo ele, é preciso "dar um norte aos alunos", dizer que o Enem vai será realizado. "Para que, desta forma, os estudantes continuem estudando, mesmo durante a quarentena. A data pode ser modificada, mas asseguramos que vamos realizar o Enem", disse Lopes.

Na quarta-feira (13), o presidente Jair Bolsonaro deu uma declaração parecida ao dizer que a prova poderia "atrasar um pouco", devendo, no entanto, ser realizada ainda neste ano. "O Enem, estou conversando com o Weintraub, né? Se for o caso, atrasa um pouco, mas tem de ser aplicado esse ano", disse Bolsonaro.

Conforme o cronograma divulgado na segunda-feira (11) a prova impressa está mantida para os dias 1.º e 8 de novembro. A partir deste ano, o candidato poderá optar pela avaliação digital marcada para os dias 22 e 29 do mesmo mês, com previsão de ser aplicada para 100 mil alunos em laboratórios de faculdades de 15 capitais do Brasil. A previsão inicial era que o Enem digital fosse aplicado nos dias 11 e 18 de outubro.

Também na segunda-feira, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) rejeitou o pedido de adiamento do Enem, feito pela Une (União Nacional dos Estudantes) e Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas).

Educadores, estudantes e entidades de educação criticam a decisão de o MEC (Ministério da Educação) manter a realização das provas do Enem deste ano. Diante da suspensão de aulas por causa da pandemia do novo coronavírus, ainda sem definição para serem retomadas, a desigualdade de ensino é a principal bandeira levantada por aqueles que pedem o adiamento do exame. Além disso, ainda há incertezas sobre os riscos da covid-19 no País em meados de novembro com as aglomerações provocadas para a realização do exame.