R7 Ensina Jovens contam como é encarar uma maratona de vestibulares

Jovens contam como é encarar uma maratona de vestibulares

Estudantes disputam por uma vaga em Arquitetura e Medicina nas principais universidades do país, como USP e Unicamp

  • R7 Ensina | Sofia Pilagallo, do R7*

Isabela Condrad pretende cursar Arquitetura

Isabela Condrad pretende cursar Arquitetura

Arquivo pessoal

A vida é uma maratona, não uma prova de 100 metros — e para os paulistas Isabela Condrad, 19 anos, e Vitor de Souza, 20 anos, que disputam uma vaga nas principais universidades do país, essa frase nunca fez tanto sentido.

Isso porque além do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), principal porta de entrada para as universidades federais do país, os jovens vão prestar ainda vários outros vestibulares. A largada foi dada há três semanas, com a primeira fase da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), mas ainda há um longo e exaustivo trajeto a ser percorrido.

Isabela, que pretende cursar Arquitetura, decidiu prestar a Fuvest, o vestibular da USP (Universidade de São Paulo), da Unicamp e da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Já Vitor, futuro médico, além da USP e da Unicamp, também tentará uma vaga na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e na Faculdade Albert Einstein, uma instituição de ensino privada que, segundo ele, oferece bolsas integrais.

Vitor de Souza quer ser médico em um grande hospital

Vitor de Souza quer ser médico em um grande hospital

Arquivo pessoal

"A situação traz um misto de ansiedade e alívio”, afirma Isabela. "Fico ansiosa porque apesar de ter concluído o Ensino Médio em 2019, este é o meu primeiro ano de vestibular 'para valer' — sem contar 2018, quando prestei as provas na condição de treineiro —, e também porque tenho muito trabalho pela frente. Por outro lado, é algo que me conforta, pois sei que tenho várias oportunidades."

Vitor, por sua vez, é enfático ao afirmar que a situação não o intimida. Este será o terceiro ano de vestibular do jovem, que tenta uma vaga em Medicina desde que se formou no Ensino Médio, em 2018. "Quanto mais prova eu faço, mais tranquilo eu fico. É tudo uma questão de prática", diz.

Rotina de estudos

Apesar de estarem em situações diferentes, Vitor e Isabela têm algo em comum: uma rotina de estudos longa e exaustiva. Desde o início de 2020, os jovens acordam cedo para assistir às aulas online do cursinho, e, na sequência, estudam por conta própria até tarde da noite.

"No ano passado, eu praticamente não tinha tempo de lazer", afirma Isabela. "Quando eu conseguia, estudava também aos finais de semana. Porém, como eu tinha simulado quase todo domingo, às vezes, dava conta de estudar somente aos sábados."

"Em 2020, não tive nem um tempinho sequer para descansar”, diz Vitor. "Desde que começou a temporada de vestibulares, tenho usado o meu tempo para refazer as provas anteriores."

Pandemia

A rotina puxada e a falta de lazer, em menor ou maior grau, fazem parte da vida de todo e qualquer vestibulando. No último ano, no entanto, os jovens se viram obrigados a lidar ainda com um segundo fator, tão ou mais desafiador: a pandemia da covid-19.

Apesar de toda a infraestrutura que tiveram à sua disposição, Vitor e Isabela garantem que o ensino remoto, o isolamento social e a instabilidade de um ano tão incerto tiveram impacto negativo sobre seu desempenho.

"Foi bem difícil essa adaptação", afirma Isabela. "Em casa, você tem muito mais distração do que teria se estivesse em uma sala de aula. Além disso, a impossibilidade de ver os meus amigos pesou bastante também. Eu comecei a sair de casa somente no final do ano, quando flexibilizaram a quarentena, sempre tomando todos os cuidados e evitando aglomerações."

"No começo, eu fiquei bem desanimado porque era tudo muito instável", diz Vitor. "Nós não sabíamos quando seriam os vestibulares, como seriam, como o Inep iria administrar essa questão. Vai passando o ano e o cansaço vai batendo. Em condições normais, era para as primeiras fases dos vestibulares terem sido realizadas em novembro."

Expectativas

Apesar de ter se preparado ao máximo para as provas, Isabela não se sente exatamente confiante para encarar os desafios. "Todo vestibulando sempre acredita que poderia ter feito mais, né? Não sei, acho que talvez eu consiga, mas fico insegura porque tenho muita dificuldade com exatas, sobretudo física."

Assim como Isabela, Vitor também já teve a sensação de que poderia ter ido além. Após prestar o primeiro vestibular de todos, em dezembro de 2020, no entanto, ele abandonou a ideia e hoje se sente preparado. "Antes de prestar o meu primeiro vestibular, eu ficava me questionando 'será que eu fiz tudo que estava ao meu alcance? Será que o concorrente fez mais do que eu?', mas depois, eu dei uma relaxada e desenvolvi mais autoconfiança."

Uma vez aprovada, Isabela espera concluir a graduação e se qualificar ao máximo para um dia realizar o sonho de trabalhar no exterior. Já Vitor almeja trabalhar em um hospital renomado de São Paulo e atuar na área de cirurgia pediátrica.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Karla Dunder

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