Reprovação e sorteio derrubaram nota das escolas particulares no Ideb, apontam especialistas

Instituições pagas têm primeira queda de desempenho desde a criação do índice

Os colégios privados tiveram queda de resultado nos anos finais do ensino fundamental e também no ensino médio
Os colégios privados tiveram queda de resultado nos anos finais do ensino fundamental e também no ensino médio Divulgação

A diferença de qualidade do ensino oferecido nas redes privadas e públicas do País está diminuindo. Mas, ao invés de mostrar que as escolas públicas deram um salto, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2013, divulgado na semana passada, identificou que as escolas particulares perderam a qualidade.

Considerando a média nacional, as escolas públicas subiram suas notas nos ensinos fundamental e mantiveram a média no médio. Já os colégios privados tiveram queda de resultado nos anos finais do ensino fundamental e também no ensino médio.

É a primeira vez que escolas particulares têm queda de desempenho desde a criação do Ideb, em 2005.

Em 2011, as instituições brasileiras particulares tiveram nota 6 nos anos finais do fundamental e 5,7 no ensino médio, frente a 5,9 e 5,4, respectivamente, em 2013.

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Eugênio Cunha, diretor da Fenep (Federação Nacional das Escolas Particulares), comenta que os resultados devem considerar a abrangência dos elementos utilizados para calcular o indicador de qualidade.

— O Ided é composto por dois indicadores, o de aproveitamento, que quantifica os números de aprovações e reprovações, e outro que é a nota média de desempenho dos alunos em avaliações de português e de matemática [na Prova Brasil e no Saeb]. Então, se o percentual de reprovação tiver aumentado, significa dizer que ele penalizou a nota que os alunos tiveram, explica. 

Não estamos bem

Márcia Aparecida Jacomini, professora do departamento de educação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), ressalta que “dentre as escolas privadas, existem aquelas que fazem o Ideb subir, e outras que puxam o Ideb para baixo”.

Seguindo esta linha raciocínio, Cunha destaca que os colégios particulares são sorteados para participar das provas usadas no índice. E, cada vez que as avaliações são realizadas, as instituições participantes não se repetem.

— É diferente do ensino público, em que a participação das escolas no Ideb tem caráter censitário, ou seja, todas participam.

Além disso, a pesquisadora da Unifesp lembra que tanto no ensino privado quanto no público as notas não foram tão boas quanto o esperado.

— No ensino privado, que é tido como melhor do País, houve uma queda. Nas escolas públicas as médias dos anos finais do ensino fundamental e o ensino médio estão com notas abaixo do ideal segundo indicação da OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico].

A escala do Ideb, com resultados publicados a cada dois anos, vai de zero a dez pontos. O governo federal considera que seis é a nota que seria equivalente à qualidade de ensino dos países desenvolvidos. O objetivo do Brasil é de que as escolas públicas alcancem essa média até o ano de 2021.

Desempenho regional

Enquanto sete estados brasileiros pioraram suas notas nos anos finais do ensino fundamental público, 11 tiveram baixas de desempenho nessa fase da educação privada.

No ensino médio público, foram 16 os estados que pioraram a pontuação no indicador de qualidade, frente a 18 na rede privada.

Os estados do Amapá e Pará pioraram suas notas nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio tanto na rede pública quanto na privada.

Vale destacar que, ainda assim, a nota média das escolas particulares no Ideb se mantém acima das obtidas pelas instituições públicas (veja a tabela abaixo).