Tecnologia integra o "novo normal" na Educação pós-pandemia

Vestibular e avaliações online, reunião de pais via aplicativo e alunos que buscam sozinhos o conhecimento deve ser a nova realidade

Ensino hídrido deve permanecer no pós-pandemia

Ensino hídrido deve permanecer no pós-pandemia

Divulgação/Centro Paula Souza

A pandemia do novo coronavírus marca, de vez, o uso da tecnologia na educação. Se antes havia desconfiança entre educadores e escolas quanto ao uso de ferramentas e plataformas, hoje é uma necessidade. Para especialistas ouvidos pelo R7, a tendência que o ensino híbrido, com momentos presencial e remoto, permaneça no "novo normal".

Para Cristovam Ferrara, diretor comercial da Ânima Educação, a pandemia trouxe mudanças que vieram para ficar. "Nunca mais teremos um vestibular com uma multidão, as versões online devem permanecer até mesmo no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

"Outro ponto é que o ensino híbrido ganha força, os alunos acompanham as aulas síncronas (que acontecem em tempo real e há interação online entre professores e estudantes) e o resultado tem sido muito positivo, além das avalições por meio digital, que antes eram vistas como um tabu, foram revistas. O profissional que sabe buscar o conhecimento é muito mais valorizado", avalia.

As instituições de ensino investem em novas plataformas que têm como objetivo aproximar as experiências virtuais das presenciais, principalmente nas aulas de laboratório, por exemplo.

Miguel Thompson, diretor acadêmico da Fundação Santillana, concorda que o uso das plataformas que promovem reuniões online facilitará a comunicação entre escola e as famílias. O próprio Whatsapp tende a ser mais utilizado, mas acredita que é necessário um investimento maior para tornar as aulas remotas mais atrativas.

"As aulas expositivas online se tornam cansativas para as crianças e é preciso pensar em linguagens diferentes", observa. "Vale observar o que a indústria do entretenimento e os youtubers têm feito e buscar novas possibilidades utilizando ferramentas de roteiro e edição."

Outro ponto está no incentivo para que os estudantes possam buscar o próprio conhecimento. "Essa é a primeira geração que tem mais conhecimento que os professores, pelo menos no que diz respeito à cultura digital", diz. "É o momento de formar investigadores, de permitir que os alunos coloquem a mão na massa."

Para que isso aconteça para todos os estudantes é preciso criar políticas públicas que diminuam as desigualdades entre os estudantes. "Uma alternativa seria a parceria entre governo e teles para a franquia de dados móveis, por exemplo."