Educação USP gasta mensalmente R$ 90 milhões a mais do que recebe

USP gasta mensalmente R$ 90 milhões a mais do que recebe

Universidade ganha R$ 360 mi por mês, mas despesas com salários chegam a R$ 375 mi 

USP gasta mensalmente R$ 90 milhões a mais do que recebe

Reitoria diz que repasse do ICMS não tem sido suficiente

Reitoria diz que repasse do ICMS não tem sido suficiente

Divulgação/USP

Segundo informe da reitoria da USP (Universidade de São Paulo) encaminhado à comunidade acadêmica na noite da última quarta-feira (28), para pagar os salários dos servidores docentes e não docentes, honrar contratos, comprar materiais e manter consumos básicos de luz e telefone, a universidade tem gastado, por mês, R$ 90 milhões acima do que recebe do governo de São Paulo.  

Segundo a reitoria, se o cenário permanecer do jeito que está, a universidade gastará mais de R$ 1 bilhão acima do que terá como receita até o final do ano.

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Atualmente, a USP recebe do Estado R$ 360 milhões por mês, mas gasta R$ 375 milhões apenas com salários e benefícios e R$ 75 milhões adicionais com outras despesas referentes a aquisições realizadas em 2013 e que têm sido pagas este ano.

ICMS

O documento diz que, nos quatro primeiros meses deste ano, a USP recebeu do governo do Estado R$ 1,44 bilhão.

— Isso representou um crescimento de 8,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mas, as despesas com salários e benefícios também cresceram (8,2%) e chegaram a R$ 1,5 bilhão. Assim, o comprometimento com pessoal, no primeiro quadrimestre deste ano, chegou a 104,2%.

A título de comparação, os índices de comprometimento com folha de pagamento da Unicamp e da Unesp no mesmo período foram de 96,3% e de 94,4%, respectivamente.

Frente à situação, a universidade assume que o repasse do ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) não tem sido suficiente para pagar os gastos com pessoal.

Afirma-se ainda que as medidas anunciadas no último mês para reestruturar o orçamento da instituição ainda não fizeram diferença significativa: “a suspensão de obras e licitações, a revisão dos contratos de veículos, vigilância e limpeza, a redução de despesas das unidades e órgãos centrais, a suspensão da contratação de novos funcionários e a revogação da distribuição de mais de 500 cargos docentes ainda não surtiram o efeito desejado.”

Déficit

No início do ano, o Conselho Universitário já havia considerado como meta anual um déficit de R$ 575 milhões. Porém, nos primeiros quatro meses do ano já foi atingido um déficit de R$362 milhões (ou seja, 63% do previsto e não 33% como esperado para o período).

Ao fim do documento, a reitoria diz que “para que a USP tenha tempo de se ajustar, sem atingir uma situação de inadimplência, é indispensável interromper o ritmo de crescimento das despesas de custeio e capital e manter os gastos com folha de pagamento nos limites do orçamento da universidade.”

Com a medida, espera-se que o desequilibro financeiro da instituição diminua e que os projetos da universidade possam ser plenamente retomados.