Após vitória apertada, Dilma pede união e promete lutar contra corrupção

Presidente reeleita garante que está aberta ao diálogo e não acredita em nação dividida

Carolina Martins, do R7, em Brasília

Dilma Rousseff comandará o Brasil de 2015 a 2018
Dilma Rousseff comandará o Brasil de 2015 a 2018 Francisco Stuckert/26.10.2014/Futura Press/Estadão Conteúdo

Após ser reeleita com 51,5% dos votos válidos neste domingo (26), a presidente Dilma Rousseff conclamou o povo a se unir na construção das mudanças que a sociedade pede. Em seu primeiro pronunciamento após vencer Aécio Neves nas urnas, na disputa mais acirrada desde a redemocratização do País, a presidente disse que não acredita em uma nação dividida e pede que os brasileiros se unam em favor do Brasil.

— Conclamo, sem exceção, todas as brasileiras e todos os brasileiros para nos unirmos em favor do futuro de nossa pátria, de nosso País e de nosso povo. Não acredito, sinceramente, do fundo do meu coração, que essas eleições tenham dividido o País ao meio. Eu entendo, sim, que elas mobilizaram ideias e emoções às vezes contraditórias, mas envolvidas por um sentimento comum: a busca por um futuro melhor para o País.

Ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e praticamente sem voz, Dilma agradeceu o apoio dos aliados. O vice-presidente reeleito, Michel Temer, estava presente com sua mulher, além do presidente do PT, Rui Falcão.

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A disputa com o tucano Aécio Neves foi acirrada. De acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com 99% das urnas apuradas, 54 milhões de eleitores votaram em Dilma, enquanto 50,7 milhões escolheram Aécio — o equivalente a 48,4% dos votos válidos. O percentual de abstenções ficou em 21%, o equivalente a 29 milhões de eleitores.

Mudança e combate à corrupção

Ainda durante seu pronunciamento, a presidente admitiu que o recado das urnas é de mudança, mas que entende que o voto para mantê-la na Presidência por mais quatro anos significa que seu segundo mandato deve ser melhor que o primeiro.

— A reeleição tem de ser entendia como um voto de esperança dado pelo povo na melhoria do governo. Voto de esperança na melhoria dos atos dos que até então vinham coordenando. Por isso quero ser uma presidenta muito melhor do que fui até agora. Quero ser uma pessoa ainda melhor do que tenho me esforçado por ser.

Sobre as denúncias de corrupção no governo, principal arma usada pela oposição para atacar a presidente durante a campanha eleitoral,  Dilma afirmou que será rígida no combate ao ilícito.

Sem citar nenhum caso específico, a presidente reeleita retomou várias promessas feitas durante a campanha e prometeu agir para acabar com a impunidade.

— Terei o compromisso rigoroso também com o combate à corrupção, fortalecendo as instituições de controle, propondo mudanças na legislação atual para acabar com a impunidade, que é a protetora da corrupção.

Reforma política

Dilma Rousseff também voltou a defender a necessidade de um plebiscito para realizar a reforma política. Para ela, essa é a primeira grande mudança que precisa ocorrer para melhorar a vida da população.

A presidente reeleita sinalizou que vai levar novamente uma proposta de consulta popular para o novo Congresso — que será reconfigurado a partir de fevereiro, quando os novos parlamentares eleitos tomam posse. De acordo com Dilma, o plebiscito é a melhor forma de conduzir a reforma.

— Com o instrumento nessa consulta, nós vamos encontrar a força e a legitimidade exigida neste momento de transformação para levarmos à frente a reforma política. Quero discutir esse tema com o novo Congresso Nacional e com toda a população brasileira. E tenho convicção de que haverá interesse dos setores do Congresso, dos setores da sociedade, de todas as forças ativas da nossa sociedade para abrir uma discussão.

Dilma também firmou compromisso no combate à inflação e disse que tomará medidas urgentes para retomar o crescimento do País. A presidente também sinalizou positivamente para a indústria, dizendo que olhará especialmente para o setor.

— Promoverei também, com urgência, ações localizadas, em especial na economia, para retomarmos nosso ritmo de crescimento, continuarmos garantindo os níveis altos de emprego e assegurando também a valorização dos salários. Vamos dar mais impulso à atividade econômica em todos os setores, em especial, no setor industrial.

Militância

O discurso da presidente foi acompanhado por uma militância animada, que comemorava a vitória nas urnas de Dilma Rousseff. O pronunciamento foi feito em um hotel em região nobre de Brasília, próximo ao Palácio da Alvorada.

Centenas de homens e mulheres vestidos de vermelho e com bandeiras do PT interromperam várias vezes o discurso da presidente com palavras de ordem do partido. ​Dilma agradeceu aos militantes e citou Lula como seu “militante número um”. O presidente ficou o tempo todo no palco, ao lado de Dilma e aliados, mas não discursou.

A presidente reeleita acompanhou a apuração dos votos no Palácio da Alvorada, residência oficial em Brasília, acompanhada da mãe, da filha e do neto. O cabeleireiro e maquiador oficial da presidente, Celso Kamura, também foi para o palácio durante a tarde, preparar Dilma para o pronunciamento oficial após o encerramento da apuração.​

 

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