Eleições 2014 Campeão de votos no RJ, Bolsonaro diz que concorda com Levy Fidelix e que ajudou Jean Wyllys

Campeão de votos no RJ, Bolsonaro diz que concorda com Levy Fidelix e que ajudou Jean Wyllys

Deputado federal pelo PP, ele foi reeleito para o sétimo mandato seguido

Campeão de votos no RJ, Bolsonaro diz que concorda com Levy Fidelix e que ajudou Jean Wyllys

Bolsonaro se diz contra união civil entre pessoas do mesmo sexo, mas admite que direito já é garantido pela Justiça

Bolsonaro se diz contra união civil entre pessoas do mesmo sexo, mas admite que direito já é garantido pela Justiça

Alexandra Martins/Câmara dos Deputados - 30.10.2013

Na Câmara dos Deputados desde 1991, Jair Bolsonaro (PP-RJ) garantiu no último domingo (5) mais um mandato de quatro anos. Ele obteve a maior votação para o cargo no Estado: 464.572 mil votos. Polêmico, principalmente, quando os assuntos são direitos de homossexuais e políticas raciais, o parlamentar falou com o R7 sobre o futuro dele no Congresso.

Um dos principais críticos dele é o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), reeleito com 144.770 votos, que luta pela aprovação de leis como a que criminaliza a homofobia. Sobre o colega de parlamento, Bolsonaro diz que o ajudou a ter visibilidade.

Ele ainda defendeu Levy Fidelix (PRTB), que no debate de presidenciáveis na TV Record disse que “aparelho excretor não reproduz”, ao se posicionar contrário à união entre pessoas do mesmo sexo.

Com 59 anos, Bolsonaro tem agora três filhos na política: Eduardo, eleito deputado federal em SP; Flávio, o terceiro deputado estadual mais votado no RJ; e Carlos, vereador na capital fluminense. Ele se orgulha de ter quase 700 mil curtidas na página que criou no Facebook em dezembro de 2013.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

R7: O senhor foi o deputado federal mais votado no Rio de Janeiro. Ficou surpreso com os números revelados pelas urnas?

Jair Bolsonaro: Eu esperava um número alto, não tão alto. Eu esperava 300 mil votos. Eu não falei para ninguém na época. Foi uma votação que é muita coisa, levando-se em conta o que eu gastei na campanha. Não tenho dinheiro por fora porque não apoio governo nenhum. O partido me deu R$ 200 mil.

R7: O deputado Jean Wyllys é um dos políticos que mais rebate as suas declarações e vocês dois já protagonizaram um bate boca na Comissão de Direitos Humanos em 2011. Como será essa relação nos próximos anos?

Bolsonaro: Eu acho que o Jean Wyllys só cresceu por minha causa. Porque houve a polarização. Eu tenho um leque de propostas e o Jean Wyllys bate na mesma tecla, o tempo todo: é casamento gay, adoção de crianças [por casais do mesmo sexo], é querer aprovar o PLC 122 [lei que criminaliza a homofobia], que está no Senado. E consegue cativar quem é gay e quem é simpatizante. Nada mais, além disso. Mas a minha votação, se não me engano, foi três vezes maior do que a dele. Nós somos maioria ainda.

R7: O candidato à Presidência Levy Fidelix (PRTB) usou essa mesma expressão, “maioria”, ao sugerir que os homossexuais (minoria) sejam enfrentados. O senhor concorda com a opinião dele?

Bolsonaro: Ele [Fidelix] falou uma coisa óbvia. A Luciana Genro vem com aquela história de esquerda, querer somar minorias. Ele não falou nada demais. Acho que até um debate para presidente da República, a Luciana Genro nem deveria ter feito essa pergunta. Diminui a importância do debate.

R7: Qual a sua opinião sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo e sobre a defesa dos direitos dos homossexuais?

Bolsonaro: O que nós queremos é o respeito à família tradicional. Eu não tenho nada a ver com gay, cada um cuida da sua vida. Se depender do meu voto, eu voto não. Mas o Conselho Nacional de Justiça já decidiu que a união vai fazer parte da nossa legislação, passou até por cima da Constituição. [...] Eu entendo que a maioria dos gays não quer esse ativismo. Porque atrapalha eles mesmos. Você acaba discriminando os gays por causa do ativismo. Quanto mais ativismo na imprensa, mais vem: 'somos diferentes, somos coitados'.

R7: A sua posição sempre foi contrária às cotas raciais. Então, quais políticas seriam necessárias para reduzir a desigualdade entre negros e brancos no Brasil?

Bolsonaro: Não tem desigualdade [racial], sabe por quê? Eu tenho uma filha que vai fazer quatro anos. Pela lei que está aí, vai ser cotista. Eu tenho olhos azuis e a minha esposa é descendente de afrodescendente. O meu sogro mora em Ceilândia [DF], ele é conhecido no círculo de amizades dele como Paulo Negão. Ele não é negro, é uma mistura de português, com negro, com índio. É justo a minha filha ser cotista?

R7: Quais serão as principais propostas que o senhor vai defender nesses próximos quatro anos?

Bolsonaro: Tudo é continuidade. Uma coisa que o Brasil está precisando há muito tempo é uma política de planejamento familiar. Eu tenho uma Proposta de Emenda Constitucional que diminui para 21 anos a idade mínima para fazer laqueadura ou vasectomia, independente do número de filhos. Caso ela voltasse a tramitar, eu puxaria para 18 [a idade]. [...] A mais antiga proposta para reduzir a maioridade penal de parlamentar com mandato é a minha. Tem um grande eco na sociedade. Eu prefiro a cadeia cheia de marginal do que um cemitério cheio de inocentes.

R7: Em quem será o seu voto para presidente no segundo turno?

Bolsonaro: Eu voto no Aécio. E já que eu ‘trabalho’ para ele, ele tem que conversar comigo, que eu gostaria que ele assumisse alguns compromissos. Por exemplo, que ele coloque como ministro da Defesa um general oficial de quatro estrelas. É pedir muito?

De olho na comissão de Direitos Humanos, Bolsonaro avisa que nem gays, nem negros vão atrapalhar

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