Campos se une a Aécio por "pacto federativo"

Ambos têm feito discursos sobre o fortalecimento dos Estados e municípios

Campos se une a Aécio por "pacto federativo"

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), dois nomes cotados para a eleição presidencial de 2014, já estão afinados no discurso da necessidade de um novo pacto federativo no País.

A desconcentração das receitas que estão com a União e o fortalecimento dos Estados e municípios são uma bandeira antiga do senador tucano — herdada de Itamar Franco —, que foi adotada mais recentemente por Campos, na esteira das eleições municipais.

Embora no plano federal participem de bases distintas, PSDB e PSB são aliados no âmbito estadual e caminharam juntos, nas eleições de outubro, na disputa por cidades importantes como Belo Horizonte e Campinas — onde a aliança derrotou candidatos apoiados pelo ex-presidente Lula e a presidente Dilma.

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Campos inseriu as expressões "novo federalismo" e "pacto federativo" no seu repertório logo após o resultado do primeiro turno. Provocado a falar sobre eventuais planos de disputar a Presidência, ele lançou o mote: a rediscussão de um novo pacto federativo é mais importante do que ficar discutindo 2014.

—Temos que olhar para o novo debate que precisa ser feito pós-eleição, o debate do novo federalismo.

Já Aécio afirmou à reportagem que o fortalecimento dos municípios é "uma questão central".

— Os prefeitos eleitos devem aproveitar para comemorar muito suas vitórias e começar, a partir de depois de amanhã, a se preocupar com o que vão receber. Porque há um processo de fragilização enorme dos municípios no Brasil. O governo federal tem sido muito pouco generoso com os municípios. As ações do governo são na linha da concentração. Essa certamente é uma das questões que subsidiam nossa proposta [...] Essa mobilização por um novo pacto federativo, a reforma da Federação, é essencial.

O  senador tucano também critica "a pouca participação ou a diminuição progressiva da participação do governo federal" no financiamento da saúde e na área da segurança pública nos Estados.

Alinhados

Na mesma linha, Campos tem dito que os repasses federais por meio do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) devem permitir não somente custeio dos municípios e Estados, mas investimentos em saúde, educação, mobilidade, habitação e segurança pública.

— Os municípios precisam das condições para realizar seu papel na estruturação das políticas públicas nas mais diversas áreas".

Campos, que também presidente nacional do PSB, saiu reforçado das urnas. O partido foi o que proporcionalmente mais cresceu nas eleições municipais. A legenda aumentou em 42% o número de prefeituras em relação a 2008 — passou de 310 para 440 — e conquistou cinco capitais.

—A vitória eleitoral traz mais responsabilidade e é preciso usar a força política à disposição de boas causas.

A defesa de um novo pacto federativo será um dos temas do seminário que Campos organizará em janeiro com todos os 184 prefeitos eleitos de Pernambuco. O encontro irá debater os desafios dos novos gestores nos próximos quatro anos.

O senador mineiro e o governador pernambucano também já adotam discursos em relação à economia. Enquanto Aécio defende a aprovação de reformas estruturais no Congresso como forma de reverter o "crescimento pífio dos últimos dois anos", Campos fala em mobilizar seus aliados no Congresso para ajudar a presidente Dilma a enfrentar a crise financeira internacional.