Rio de Janeiro Saiba quem são os 11 candidatos a vice-prefeito do Rio

Saiba quem são os 11 candidatos a vice-prefeito do Rio

Cientista político comenta critérios de escolha dos candidatos a prefeito

Saiba quem são os 11 candidatos a vice-prefeito do Rio

Da esquerda para a direita: Fernando Mac Dowell (vice de Marcelo Crivella), Edson Santos (vice de Jandira Feghali), Rodrigo Amorim (vice de Flávio Bolsonaro), Cidinha Campos (vice de Pedro Paulo Carvalho) e Marília Macedo (vice de Cyro Carcia)

Da esquerda para a direita: Fernando Mac Dowell (vice de Marcelo Crivella), Edson Santos (vice de Jandira Feghali), Rodrigo Amorim (vice de Flávio Bolsonaro), Cidinha Campos (vice de Pedro Paulo Carvalho) e Marília Macedo (vice de Cyro Carcia)

Divulgação

Em um cenário em que um impeachment alçou o até então vice Michel Temer à Presidência da República e o tratamento contra um câncer fez Francisco Dornelles assumir o governo do Rio no lugar de Luiz Fernando Pezão, que está afastado para o tratamento, uma questão fica em evidência: o eleitor está atento a quem acompanha seus candidatos a prefeito?

O R7 Rio traçou os perfis dos 11 candidatos a vice nas chapas para a Prefeitura do Rio. Em caso de licença médica, renúncia, deposição ou morte, é o vice quem assume a prefeitura. 

Para o cientista político e professor do FGV Sérgio Praça, há dinâmicas tradicionais na hora de os partidos escolherem os candidatos à vice.

— Não acho que exista uma lógica única para a escolha. No caso do candidato do PMDB, escolher alguém de outro sexo e de outro partido é um clássico, ainda mais porque o Pedro Paulo foi acusado de ter agredido a esposa. O fato de a Cidinha Campos ser de outro partido também é um clássico porque amplia os recursos da campanha. No caso do Freixo, a Luciana Boiteux é alguém que mostra uma afinidade absoluta com ele. Eles são da mesma área de atuação e ela reforçaria o sentido da candidatura.

Perfis: ex-cantora de rádio, líderes comunitários e professores

Variados, os perfis dos candidatos a vice-prefeito contam com técnicos, professores e políticos tradicionais. Em primeiro lugar nas pesquisas, o candidato do PRB, Marcello Crivella, tem como candidato a vice em sua chapa o especialista em transportes Fernando McDowell, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Ele foi indicado pela deputada federal Clarissa Garotinho (PR-RJ), cujo partido apoia Crivella. McDowell já foi diretor do metrô do Rio e costuma ser referência na discussão sobre o transporte público na cidade.

A professora Carmem Migueles (Novo) também escolheu um técnico para compor sua chapa como vice. O empresário Tomás Pelosi é formado em Engenharia pela PUC-RJ. Ele foi executivo do mercado financeiro e fez consultoria para empresas nacionais e estrangeiras. Pelosi diz, em apresentação no site da candidata, querer “colaborar com a candidata a prefeita Carmen Migueles numa administração profissional que valorize práticas consagradas de gestão”.

O deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ) escolheu um professor ligado a área de urbanismo. Roberto Anderson, de 60 anos, é arquiteto, consultor e professor na PUC-Rio, onde Molon também dá aulas. Ele já foi candidato a deputado federal em 2014.

Disputando o segundo lugar nas pesquisas, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) também foi às salas de aula buscar sua parceira. Professora no Departamento de Direito da UFRJ, Luciana Boiteaux já atuou como advogada criminal, mas optou pelo magistério em 2007. Luciana é conhecida pela defesa dos direitos humanos no sistema penitenciário.

Já o PSTU escolheu a servidora do Judiciário Marília Macedo para ser a vice de Cyro Garcia. Marília foi candidata a vice-governadora em 2014 na chapa do partido e é assumidamente bissexual.

Depois de conseguir o apoio do PSB, o candidato Índio da Costa (PSD) ofereceu o cargo de vice ao deputado federal do partido Hugo Leal. Advogado e economista, Leal foi eleito deputado federal em 2006 e se destacou por criar a Lei Seca.

Depois que o PMDB fluminense decidiu apoiar a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o PT do município — que tem a vice-prefeitura de Eduardo Paes —  decidiu ficar ao lado de Jandira Feghali (PCdoB). O vice da candidata é Édson Santos, sociólogo e deputado federal, filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1994. Durante sua carreira política, foi vereador e eleito vice-presidente da Câmara de Vereadores. Édson tem histórico de participação em decisões para igualdade racial e foi ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial entre 2008 e 2010.

Com a intenção de amenizar a polêmica de ter sido investigado por agredir sua ex-mulher, o deputado federal Pedro Paulo Carvalho (PMDB) escolheu a deputada estadual Cidinha Campos (PDT) como vice. Cidinha trabalhou como cantora de rádio e foi atriz, repórter e apresentadora de TV por mais de 20 anos.

O PSDB escolheu a socióloga, ambientalista e professora na Uerj Aspásia Camargo para compor a chapa com Carlos Osório (PSDB), ex-secretário de Eduardo Paes. Aspásia concorreu à prefeitura em 2012 pelo Partido Verde e hoje é filiada ao PSDB. Ela foi vereadora, secretária de Cultura do Estado e presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Já Telma Bastos (PCO) escolheu uma liderança comunitária para sua chapa. Robert Rolo tem 39 anos e é nascido na zona norte do Rio de Janeiro, no bairro do Engenho Novo. Hoje, é morador da comunidade São João.

Assim como Flávio Bolsonaro (PSC), Rodrigo Amorim, de 37 anos, é advogado e foi escolhido para ser vice em sua chapa. Ele é presidente da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e secretário municipal em Nilópolis, Baixada Fluminense. Amorim tem pós-graduação em Direito do Trabalho e já atuou no sindicato dos médicos. 

Para Sérgio Praça, o impeachment de Dilma e a licença de Pezão fizeram com que houvesse mais atenção aos vices, mas o desconhecimento deles é natural.

— Isso de a gente não prestar atenção no vice é meio que universal. Nos outros países, também se dá pouca exposição. O normal é que a pessoa sobreviva ao mandato em todos os sentidos, tanto no sentido político como em sua saúde. Nos Estados Unidos, o vice tem uma posição institucional, com algumas funções. No Brasil, depende de cada candidatura a participação do vice no governo. A gente também acaba prestando pouca atenção porque não está claro o que essa pessoa vai fazer.

*Colaborou Victor Sena, do R7 Rio.

Em cima da esquerda para a direita: Tomas Pelosi (vice de Carmem Migueles), Roberto Anderson (vice de Alessandro Molon) e Hugo Leal (vice de Índio da Costa). Embaixo da esquerda para a direita, Luciana Boiteux (vice de Marcelo Freixo), Aspásia Camargo (vice de Carlos Osório) e Wagner Rolo (vice de Thelma Bastos)

Em cima da esquerda para a direita: Tomas Pelosi (vice de Carmem Migueles), Roberto Anderson (vice de Alessandro Molon) e Hugo Leal (vice de Índio da Costa). Embaixo da esquerda para a direita, Luciana Boiteux (vice de Marcelo Freixo), Aspásia Camargo (vice de Carlos Osório) e Wagner Rolo (vice de Thelma Bastos)

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