Eleições 2018 Bolsonaro age para não ficar na defensiva na reta final da campanha

Bolsonaro age para não ficar na defensiva na reta final da campanha

Aliados do candidato reavaliam se ele deve manter recolhimento, sustentado pelas pesquisas de intenção de voto, ou reforçar ataques ao PT na internet

Eleições

Bolsonaro nega envolvimento com caso de fake news

Bolsonaro nega envolvimento com caso de fake news

Ricardo Moraes/Reuters - 7.10.2018

A campanha do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) estuda mexer na estratégia que havia definido para a última semana da eleição.

Após a denúncia de que empresas teriam beneficiado Bolsonaro ao disseminar fake news em massa pelas redes sociais contra Fernando Haddad (PT), aliados mais próximos do deputado reavaliam se ele deve manter o recolhimento confortável, sustentado pelas pesquisas de intenção de voto, ou reforçar os ataques ao PT na internet e por meio de breves discursos.

Neste sábado (20), Bolsonaro já fez declarações mais enfáticas sobre o caso. Em entrevista no Rio, ele se declarou a favor da imprensa livre e afirmou que “não tem nada a ver” com a denúncia envolvendo fake news.

Até então, a cúpula da campanha programava que Bolsonaro passaria a maior parte do tempo descansando e se recuperando das consequências da facada que sofreu no dia 6 setembro em Juiz de Fora.

A Procuradoria Geral da República pediu que a Polícia Federal investigue suspeitas de que empresas disseminam mensagens falsas em redes sociais relacionadas tanto a Bolsonaro como a Haddad. O inquérito foi instaurado neste sábado pela PF.

Em outra frente, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) abriu ação para apurar as denúncias de suposto abuso de poder econômico por parte de Bolsonaro na disseminação das fake news. As acusações surgiram quando o candidato já se considerava, como declarou na última quarta-feira, “com a mão na faixa” presidencial.

“Esse tipo de contato com bandidos quem tem é o PT, não eu”, disse Bolsonaro.

O presidente do PSL, Gustavo Bebianno também falou no sábado sobre as denúncias de fake news. Disse que entrará com um pedido na PGR para que se investigue a denúncia contra Bolsonaro.

“Vamos pedir que essa denúncia, que não tem pé nem cabeça, seja apurada até o fim.”

Reeleição

Ainda na entrevista, o presidenciável afirmou que pretende fazer uma “excelente reforma política” e voltou a sugerir o fim do instrumento da reeleição e a redução do número de congressistas.

“Um presidente não tem autoridade para fazer reforma política. Cada parlamentar vota de acordo com seu interesse. O que eu pretendo fazer, tenho conversado com o Parlamento também, é você fazer uma excelente reforma política para acabar com o instituto da reeleição, que no caso começa comigo, se eu for eleito, e diminuir um pouco — 15%, 20% — a quantidade de parlamentares.”

O presidenciável ainda declarou, no contexto de uma eventual reforma, que o ideal seria “criar um sistema eletrônico de votação confiável, que possa ser auditável”.

Sobre política econômica, afirmou que o Banco Central terá autonomia se ele vencer a eleição, mas não quis citar quem estaria à frente da instituição. “Não sei se o atual presidente [Ilan Goldfajn] vai ser mantido. Não sei se ele é um bom nome, quem vai ver isso é o Paulo Guedes”, disse ele, em referência ao economista responsável pelas propostas do PSL na área.

O presidenciável, no entanto, voltou a citar nomes para o ministério de um eventual governo seu a partir de 2019. “O tenente-coronel da Aeronáutica Marcos Pontes está quase confirmado para a Ciência e Tecnologia”, disse. Pontes foi o primeiro astronauta sul-americano a participar de uma missão espacial, em 2006.

Investigação

A Polícia Federal instaurou na manhã deste sábado (20) um inquérito para investigar o disparo de mensagens pelo WhatsApp envolvendo as campanhas presidenciais.

O pedido de abertura de investigação partiu da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que quer a apuração de uma eventual utilização de esquema profissional por parte das campanhas, com o propósito de propagar notícias falsas.

Fontes da PF disseram ao jornal O Estado de São Paulo que as investigações não devem ser demoradas.

Em outra frente, o corregedor nacional da Justiça Eleitoral, ministro Jorge Mussi, decidiu na sexta-feira abrir ação de investigação judicial pedida pelo PT para que sejam investigadas as acusações de que empresas compraram pacotes de disparos em larga escala de mensagens no WhatsApp contra a legenda e a campanha de Fernando Haddad à Presidência da República.

A denúncia foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. A reportagem diz que empresários estão comprando pacotes de disparos em massa pelo WhatsApp. O jornal não exibiu documentos nem mencionou relatos de testemunhas.

Mussi concedeu prazo de cinco dias para que Bolsonaro, seu vice, Hamilton Mourão, o empresário Luciano Hang, da Havan, e dez sócios das empresas apontadas na ação do PT apresentem defesa no processo, se desejarem.

    https://noticias.r7.com/eleicoes-2018