Eleições 2020 Lazer mal distribuído em SP é desafio para próximo prefeito

Lazer mal distribuído em SP é desafio para próximo prefeito

Moradores atendidos de forma totalmente diferente ilustram os desafios da próxima gestão municipal na redução das desigualdades na capital

Agência Estado
População de SP não tem acesso às mesmas oportunidades de lazer

População de SP não tem acesso às mesmas oportunidades de lazer

Divulgação / Prefeitura de SP

A relação é direta. Quem tem acesso frequente à arte tem mais chance de ser saudável mentalmente. Música, literatura, teatro, cinema. Formas de lazer que podem tornar a vida mais leve, reduzindo a ansiedade e elevando a sensação de bem-estar.

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"O lazer é uma forma de prevenção de doenças e promoção de saúde. Estimula a cognição e o repertório social", afirmou ao Estadão a médica psiquiatra Gabriela Galvão. É por isso, segundo a especialista, que investir em atividades culturais, parques e praças, significa melhorar a saúde pública.

Pesquisador da área de saúde, Pedro Senger, de 25 anos, sabe bem os benefícios da cultura. Morador da região de Higienópolis, no centro, está a cinco minutos de caminhada na Avenida Paulista. Apesar de não ser em si um equipamento de cultura, a avenida mais famosa da cidade virou ponto de encontro de artistas que se apresentam aos domingos gratuitamente ali - o projeto de manter a avenida aberta a pedestres está suspenso em função da pandemia.

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A via ainda abriga uma série de institutos culturais, como o Museu de Arte de São Paulo (Masp), o Instituto Moreira Salles e a Japan House. "Antes da pandemia, eu saía muito para jantar. Frequentava bastante cinema, teatro e, no domingo, tinha como programa andar pela Avenida Paulista", disse Pedro.

Sábado e domingo costumam ser os dias que Vandersilva Simeão, de 54 anos, coloca as tarefas domésticas em dia. Dificilmente ela aproveita o fim de semana para ir ao cinema, teatro ou museu. Perto de sua casa, na Vila Missionária, zona sul, o lazer é quase inexistente. E o jeito é improvisar. "Fico sentada na rua tomando uma geladinha".

Moradores da mesma cidade, mas atendidos de forma totalmente diferente, Vandersilva e Pedro foram convidados pelo Estadão para ilustrar os desafios do próximo prefeito ou prefeita de São Paulo na redução das desigualdades da cidade.

Acesso

Na média, a capital paulista tem quatro equipamentos de cultura para cada grupo de 100 mil habitantes. Enquanto o Butantã possui cerca de 53 equipamentos por 100 mil habitantes, outros 23 distritos não têm nenhum. Os dados fazem parte do Mapa da Desigualdade 2019, da Rede Nossa São Paulo. O bairro de Vandersilva está na parte debaixo desse ranking.

Num raio de 1 km de onde a encarregada de limpeza mora, a única diversão fica por conta do chamado Clube da Comunidade, espaço municipal administrado por entidades locais. Mas lá não há nem sequer um parquinho para as crianças.

A Secretaria Municipal de Cultura informou que os equipamentos culturais mais próximos de Vandersilva são a Biblioteca Paulo Duarte, o Centro de Culturas Negras e a Casa de Cultura Hip Hop Sul. Todos a cerca de uma hora de caminhada. A pasta diz que estuda a criação de uma casa de cultura no bairro e que investe na contratação de artistas da região no projeto online chamado Casa de Cultura Itinerante Cidade Ademar.

Segundo a coordenadora da Rede Nossa São Paulo, Carolina Guimarães, a solução não está necessariamente em levar os mesmos equipamentos do centro para a periferia. "É preciso trabalhar com o que já existe, identificando e mapeando coletivos e espaços artísticos independentes para apoiar toda essa rede cultural periférica. Isso por ser feito, por exemplo, a partir de leis de incentivo", diz.

O Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (Pro-Mac), conhecido como Lei Rouanet da Prefeitura, usa agora o critério da vulnerabilidade para selecionar projetos, o que ajuda a fortalecer a identidade desses bairros e a criar polos de cultura. "Com isso, há uma melhora na qualidade de vida, que depende do equilíbrio entre trabalho e lazer." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

fonte: Estadão Conteudo

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