Eleições 2022 Tebet critica voto útil e diz que Brasil só tem futuro se acabar com polarização

Tebet critica voto útil e diz que Brasil só tem futuro se acabar com polarização

Segundo candidata do MDB, votar em Lula para não eleger Bolsonaro é um risco; ex-presidente tenta conquistar eleitores dela

  • Eleições 2022 | Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

A candidata do MDB à Presidência da República, Simone Tebet, em sabatina na Record TV

A candidata do MDB à Presidência da República, Simone Tebet, em sabatina na Record TV

Edu Garcia/R7 - 28.9.2022

Nesta quarta-feira (28), a candidata do MDB à Presidência da República, Simone Tebet, participou de uma sabatina na Record TV e criticou a estratégia do voto útil, usada pela campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar convencer os brasileiros a votarem nele para evitar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno.

“Dia 2 de outubro ainda não chegou. O eleitor ainda tem tempo de fazer uma reflexão. Não é uma eleição em que dá para apostar no menos pior. ‘Eu vou eleger A porque não quero B’ ou ‘eu vou eleger B porque não quero A’. O que está em jogo são os próximos quatro anos. Eleger o menos pior significa ter que enfrentar as dificuldades da miséria, da desigualdade, da fome, da falta de emprego, da falta de remédio no posto, da falta da qualidade do ensino, diante de um governante que não só não te representa como que também não tem as melhores propostas para o Brasil”, afirmou.

Segundo Tebet, a candidatura dela é capaz de romper a polarização política no país. “O poder do voto é seu [eleitor]. Não é de ninguém que prega o voto útil. E acreditem: é possível fazer diferente. Mas é preciso construir um novo Brasil. E o Brasil só vai ter futuro e sucesso se acabar com essa polarização, esse discurso de ódio, essa briga. Somente com harmonia, com diálogo, com uma candidatura de centro capaz de unir o Brasil que o Brasil vai crescer e gerar renda. É isso que nós queremos para as famílias brasileiras. É esse o meu propósito”, destacou Tebet.

Sem reeleição

Durante a sabatina, a candidata afirmou que, caso eleita presidente, não tentará se reeleger para o posto. “Sendo eleita presidente da República, vou no cartório registrar publicamente um documento dizendo que não concorro à reeleição”, garantiu.

Segundo ela, ao abrir mão disso, é possível trabalhar melhor para o país. “Primeiro, para que consigamos fazer as reformas necessárias para garantir os empregos e renda de que o Brasil tanto precisa. Fazer o Brasil voltar a crescer e aprovar os projetos relevantes. Segundo, para que eu não fique tentada a fazer o que todos os ex-presidentes e o atual presidente fazem: ganha a eleição, e no dia seguinte fica pensando na reeleição. Quebra o Brasil e cede ao fisiologismo, a esse toma lá dá cá de entrega de cargos, a gastar além do que tem.”

Orçamento secreto

Na entrevista, Tebet foi questionada sobre o seu mandato como senadora. Ela lembrou que foi a primeira mulher na história a concorrer à Presidência da Casa e disse que um dos motivos que contribuíram para que ela perdesse foi a distribuição de emendas de relator do chamado orçamento secreto a favor da eleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

“Perdi a eleição, entre outras coisas, porque o orçamento secreto correu solto para comprar parlamentares. ‘Olha, eu vou te dar R$ 100 milhões, R$ 50 milhões, R$ 30 milhões em emendas se votar em mim.’ Eu recebi oferta para desistir da minha candidatura. E a alguns senadores que votaram em mim também foi oferecida. Algumas ofertas chegaram a três dígitos, outras a dois dígitos. Tem gente que recebeu R$ 120 milhões de emendas de orçamento secreto”, garantiu.

Tebet, contudo, evitou revelar os nomes de quem tentou suborná-la. Segundo ela, não era um bom momento. “Não quero me vitimizar e muito menos conquistar votos por causa disso.”

De acordo com a candidata, se ela ganhar as eleições à Presidência da República, dará fim às emendas de relator e exigirá mais transparência da movimentação dos parlamentares do Orçamento do governo federal. “Todos os ministros de Estado, a partir de 1º janeiro do ano que vem, têm que dar transparência absoluta nas contas públicas. Colocar no Portal da Transparência para quem destinou o recurso, para onde foi, e ver se esse dinheiro chegou.”

BNDES

Tebet disse também que um eventual governo dela não vai permitir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) empreste recursos a outros países para financiar obras no exterior.

“O BNDES vai emprestar dinheiro para o povo brasileiro, para as indústrias nacionais abrirem portas para gerar emprego para o nosso povo”, afirmou Tebet. Segundo ela, caso eleita, ela fará com que a instituição desenvolva o seu papel social.

“Vamos ter que pôr para funcionar a letra S. O social tem que sair do papel no Brasil. Tudo tem que ser focado no social. Cada centavo que eu economizar é para resolver o problema da educação, da saúde, da segurança pública. É para resolver o problema das pessoas”, destacou.

Relação com o MDB

Durante a sabatina, Tebet foi questionada sobre a falta de apoio dentro do próprio partido à candidatura dela. Antes de ela ser oficializada como nome do MDB ao Palácio do Planalto, uma ala da sigla foi à Justiça para impedir a realização da convenção partidária que lançaria Tebet como candidata.

Ela minimizou o movimento. “Eu sempre enfrentei os caciques que estiveram do outro lado da história. Foram ministros do ex-presidente Lula e estiveram com ele nos escândalos de corrupção. Então, eles não estarem do meu lado significa que eu estou do lado certo da história.”

Tebet comentou ter ficado surpresa ao ser cogitada para disputar a Presidência, mas afirmou que assumiu a responsabilidade desde que foi escolhida pelo partido. “Eu sou resiliente, corajosa, persistente, teimosa, e sei da importância de se ter uma mulher [como presidente] em um período tão difícil em que nós estamos vivendo no Brasil.”

Tebet foi a última a participar das sabatinas que a Record TV realizou nesta semana com os candidatos à Presidência da República. Na segunda (26), o entrevistado foi o presidente Jair Bolsonaro (PL). Na terça (27), Ciro Gomes (PDT). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado, mas não quis comparecer.

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