Notícias Especialistas divergem sobre estratégia de priorizar professores e policiais

Especialistas divergem sobre estratégia de priorizar professores e policiais

Agência Estado

Especialistas ouvidos pelo Estadão divergem sobre a estratégia de priorizar professores e policiais na fila da imunização. Mas, segundo eles, o governo paulista tem a prerrogativa de seguir ordem diferente do Plano Nacional de Imunização (PNI), que previa vacinar idosos antes de outros grupos.

Conforme a epidemiologista Carla Domingues, o plano nacional de vacinação contra a covid-19 prevê que Estados e municípios podem fazer a própria priorização. "Esse grupo (policiais e professores) realmente está muito exposto, é uma escolha de Sofia. São essas pessoas que acometem os pais e avós", diz a epidemiologista, que coordenou o PNI de 2011 a 2019.

Segundo Mérces da Silva Nunes, especialista em direito médico e sócia do Silva Nunes Advogados, a medida tem respaldo legal, pois o Supremo Tribunal Federal deu autonomia a Estados para combater a pandemia. "A partir do momento que a União distribui vacinas para os governos municipais e estaduais, eles adquirem autonomia para determinar o que fazer dentro do Estado", continua.

Já a infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp, afirma que a priorização de categorias profissionais pode atrasar a imunização de idosos e adultos com comorbidades. "Se tenho número limitado de vacinas e vou reservar doses para essas categorias, estou tirando de alguém", pondera ela, que vê pressão das categorias para ficar mais à frente na fila.

Para Márcio Bittencourt, pesquisador da USP, é preciso acelerar a vacinação e, por esse ponto de vista, priorizar adultos com comorbidades pode ser difícil. "É uma lista ampla, que nem sempre é fácil de definir e documentar." O Estadão perguntou à Secretaria da Saúde se a vacinação de pessoas com comorbidades poderia atrasar, mas não obteve resposta. O Ministério da Saúde também não se manifestou.

Próximas fases

O Estado tem cerca de 4 milhões de moradores de 60 a 69 anos. O governo disse apenas que a vacinação dos idosos será concomitante à imunização das categorias profissionais e que novas faixas etárias ainda serão anunciadas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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