Estudo revela por que a Pirâmide de Gizé resistiu a terremotos por mais de 4 mil anos
Pesquisadores descobriram características estruturais que ajudaram a Grande Pirâmide a sobreviver a séculos de tremores
Fala Ciência|Do R7

A Grande Pirâmide de Gizé atravessou mais de 4.500 anos enfrentando erosão, mudanças climáticas e terremotos capazes de destruir estruturas modernas. Mesmo após sucessivos tremores no Egito, incluindo o terremoto do Cairo em 1992, o monumento permaneceu praticamente intacto. Agora, um estudo publicado na revista Scientific Reports ajuda a explicar por que essa construção colossal resistiu tão bem ao tempo.
A pesquisa analisou as vibrações naturais da pirâmide e revelou características estruturais que podem ter reduzido os impactos sísmicos ao longo dos séculos. Embora isso não signifique que os egípcios dominassem engenharia antiterremotos moderna, os resultados mostram que diversas escolhas arquitetônicas favoreceram sua resistência. Entre os fatores apontados pelos pesquisadores, destacam-se:
O “ritmo natural” que ajudou a proteger a estrutura
Toda construção possui uma frequência natural de vibração, semelhante ao movimento de um balanço. Quando um terremoto vibra exatamente na mesma frequência da estrutura, ocorre a chamada ressonância, fenômeno capaz de amplificar danos e provocar colapsos.
No caso da Grande Pirâmide, os pesquisadores descobriram que suas frequências naturais ficam entre 2,0 e 2,6 hertz, enquanto o solo ao redor vibra em uma frequência muito menor. Essa diferença diminui a transferência eficiente de energia sísmica para a construção, reduzindo os efeitos dos tremores.
Para chegar a esse resultado, cientistas instalaram sensores em dezenas de pontos internos e externos da pirâmide. O método utilizado, conhecido como HVSR, mede pequenas vibrações naturais geradas pelo vento, movimentação humana e pelo próprio solo.
Resistência vai muito além da frequência
Apesar dos resultados impressionantes, especialistas alertam que a resistência sísmica envolve muitos outros fatores além da frequência de vibração. Durante terremotos intensos, estruturas de alvenaria podem sofrer rachaduras, deslocamentos e perda de rigidez, alterando completamente seu comportamento.
Além disso, existe o chamado viés de sobrevivência. Monumentos antigos que chegaram até hoje são justamente aqueles que suportaram o tempo, enquanto construções menos resistentes desapareceram ao longo dos séculos.
Ainda assim, a Grande Pirâmide continua sendo um exemplo extraordinário de engenharia antiga. Sua geometria simples, aliada ao enorme peso distribuído de maneira eficiente, criou uma estrutura naturalmente robusta.
O estudo liderado por Mohamed ELGabry reforça que a durabilidade da pirâmide provavelmente não foi fruto de acaso. Mesmo sem conhecimentos modernos de sismologia, os construtores egípcios parecem ter desenvolvido soluções arquitetônicas altamente eficazes por meio de observação prática e experiência acumulada.














