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Júpiter pode produzir os relâmpagos mais extremos já observados no Sistema Solar

Novos dados da sonda Juno indicam que os relâmpagos de Júpiter podem superar os terrestres em intensidade extrema

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Tempestades extremas em Júpiter intrigam cientistas com relâmpagos colossais e misteriosos. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

As tempestades de Júpiter sempre impressionaram pela escala gigantesca. No entanto, novas análises da missão Juno, da NASA, revelaram algo ainda mais surpreendente: os raios produzidos no planeta podem ser até 100 vezes mais poderosos do que os relâmpagos comuns registrados na Terra. Em alguns cenários, os cientistas acreditam que essa diferença pode ser ainda maior.

O estudo, publicado na revista científica AGU Advances, mostra que a atmosfera do maior planeta do Sistema Solar funciona de maneira muito diferente da terrestre. Como resultado, enormes quantidades de energia podem ficar acumuladas antes de serem liberadas em descargas elétricas extremamente violentas.


Além disso, os pesquisadores identificaram tempestades capazes de atingir mais de 100 quilômetros de altura, algo muito acima das formações atmosféricas observadas na Terra.

  • Júpiter possui atmosfera rica em hidrogênio e amônia
  • As tempestades podem durar meses ou até séculos
  • A sonda Juno observa o planeta desde 2016
  • Alguns raios liberam energia colossal em micro-ondas


Uma atmosfera que favorece supertempestades

Na Terra, o ar úmido sobe com relativa facilidade porque o vapor d’água é mais leve do que os gases predominantes da atmosfera. Em Júpiter, porém, ocorre o contrário. O ambiente dominado por hidrogênio dificulta a ascensão do material úmido, exigindo um acúmulo muito maior de calor e energia.


Esse detalhe transforma as tempestades jovianas em verdadeiros reservatórios energéticos. Quando finalmente ocorre a liberação dessa energia, os raios produzidos podem alcançar intensidades extraordinárias.

Os cientistas acreditam que o mecanismo básico dos relâmpagos seja semelhante ao terrestre: partículas de gelo e gotículas carregadas eletricamente geram diferenças de voltagem dentro das nuvens. Entretanto, em Júpiter, esse processo parece acontecer em uma escala muito mais extrema.


O papel da sonda Juno na descoberta

A missão Juno foi essencial para detectar esses sinais. Utilizando um radiômetro de micro-ondas, a espaçonave conseguiu identificar emissões atravessando as espessas nuvens do planeta, algo difícil de medir apenas com observações visuais.

Durante passagens realizadas entre 2021 e 2022, os pesquisadores analisaram tempestades isoladas e registraram centenas de pulsos de micro-ondas associados aos raios. Em alguns momentos, a Juno detectou uma média de três descargas elétricas por segundo.

Os dados também revelaram um grupo de tempestades apelidadas de “supertempestades furtivas”. Diferentemente das formações gigantes mais conhecidas de Júpiter, essas estruturas não apresentavam torres de nuvens tão elevadas visualmente, mas ainda assim geravam atividade elétrica intensa.

Raios gigantes e um mistério ainda sem resposta

Os pesquisadores estimam que certos relâmpagos de Júpiter possam liberar centenas ou até milhares de vezes mais energia do que um raio terrestre típico. Para comparação, um único raio na Terra já contém energia suficiente para abastecer dezenas de residências temporariamente.

Mesmo com os avanços obtidos pela missão Juno, ainda não existe uma explicação definitiva para tamanha potência. Entre as hipóteses analisadas estão:

  • Tempestades muito mais profundas e extensas;
  • Maior disponibilidade de energia atmosférica;
  • Diferenças químicas entre hidrogênio e nitrogênio;
  • Distâncias maiores percorridas pelas descargas elétricas.

As descobertas ajudam os cientistas a compreender não apenas o clima de Júpiter, mas também os processos elétricos extremos que podem ocorrer em outros planetas gigantes do Universo.

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