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Novas terapias contra câncer avançado surpreendem e ampliam a sobrevida 

Novos tratamentos demonstraram resultados promissores em tumores avançados e de difícil controle

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Células tumorais invadindo vaso sanguíneo em processo de metástase. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

A oncologia vive um momento de rápida transformação. Novos tratamentos apresentados durante o congresso da Sociedade Norte-Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2026 revelaram resultados que podem alterar significativamente o cuidado de pacientes com alguns dos tipos de câncer mais difíceis de tratar.

Entre os destaques estão terapias direcionadas para o câncer de pâncreas metastático e para o câncer de cabeça e pescoço avançado, duas doenças que frequentemente apresentam prognóstico desafiador. Os estudos mostraram ganhos importantes em sobrevida, controle da progressão da doença e até casos de remissão completa em pacientes que já haviam passado por tratamentos anteriores sem sucesso.


Um avanço importante contra o câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas continua sendo um dos tumores mais agressivos da medicina moderna. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre em fases avançadas, reduzindo as possibilidades terapêuticas.


Um dos estudos mais comentados do congresso foi o RASolute 302, conduzido pelo Dana-Farber Cancer Institute e publicado simultaneamente no New England Journal of Medicine em 2026.

A pesquisa avaliou cerca de 500 pacientes com câncer pancreático metastático que já haviam recebido quimioterapia. Os participantes foram divididos entre tratamento convencional e uma nova terapia oral chamada daraxonrasib.


O medicamento atua bloqueando alterações relacionadas ao gene KRAS, uma das mutações mais frequentes nesse tipo de tumor.

Os resultados chamaram atenção:


  • Sobrevida média de 13,2 meses com a nova terapia;
  • Sobrevida média de 6,7 meses no tratamento convencional;
  • Maior tempo de controle da doença antes de nova progressão.

Esses dados indicam que terapias direcionadas contra mutações específicas podem representar uma mudança importante na forma de tratar tumores pancreáticos avançados.

Injeção mostrou respostas impressionantes

Outro estudo de destaque foi o OrigAMI-4, desenvolvido pelo Institute of Cancer Research (ICR), do Reino Unido.

A pesquisa investigou o uso do amivantamab em pacientes com câncer de cabeça e pescoço não relacionado ao HPV que já haviam recebido imunoterapia e quimioterapia anteriormente.

O tratamento foi administrado por via subcutânea e apresentou um mecanismo de ação múltiplo. A substância atua bloqueando vias utilizadas pelas células tumorais para crescer e sobreviver, além de estimular a resposta imunológica do organismo.

Os resultados foram considerados extremamente promissores.

Entre os 102 participantes avaliados:

  • 28 apresentaram redução significativa do tumor;
  • 15 alcançaram remissão completa detectável nos exames;
  • Muitos pacientes responderam ao tratamento em poucas semanas.

A velocidade da resposta também chamou atenção, especialmente porque esses pacientes possuíam doença avançada e opções terapêuticas limitadas.

O que torna essas descobertas tão relevantes?

A principal importância desses estudos está no perfil dos participantes. Em ambos os casos, os tratamentos foram testados em pessoas que já haviam passado por terapias convencionais e apresentavam progressão da doença.

Historicamente, pacientes nessa situação possuem menos alternativas eficazes disponíveis. Por isso, qualquer ganho expressivo em sobrevida ou controle tumoral representa um avanço significativo.

Além disso, os resultados mostram uma tendência crescente da oncologia moderna: o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais personalizados, direcionados às características biológicas específicas de cada tumor.

Uma nova fase da medicina oncológica

Os dados apresentados em 2026 sugerem que a combinação entre terapias-alvo, imunoterapia e medicamentos capazes de bloquear mecanismos específicos do câncer poderá transformar o tratamento de diversos tumores nos próximos anos.

Embora estudos adicionais e aprovações regulatórias ainda sejam necessários, os resultados publicados no New England Journal of Medicine e apresentados pelo Institute of Cancer Research demonstram o potencial dessas abordagens para prolongar a vida e melhorar a qualidade de vida de pacientes com câncer avançado.

À medida que a ciência compreende melhor os mecanismos moleculares dos tumores, surgem novas oportunidades para desenvolver tratamentos mais eficazes, menos invasivos e cada vez mais personalizados.

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