Por que tomar mais gotas de melatonina pode ser o motivo de você continuar acordando de madrugada?
Aumentar a dose de melatonina nem sempre melhora o sono e pode atrapalhar seu equilíbrio natural
Fala Ciência|Do R7

Quando o sono demora a chegar ou os despertares durante a madrugada começam a se tornar frequentes, muitas pessoas recorrem à melatonina. E, quando os resultados não aparecem rapidamente, é comum que aumentem a quantidade de gotas por conta própria, acreditando que uma dose maior fará efeito mais rápido ou proporcionará uma noite de sono mais longa. Afinal, existe uma lógica aparentemente simples por trás desse comportamento: se algumas gotas ajudam, mais gotas deveriam ajudar ainda mais.
No entanto, o funcionamento do organismo não segue necessariamente essa regra. Na farmacologia, existem situações em que aumentar a dose não significa aumentar os benefícios. Em alguns casos, o excesso pode até reduzir a resposta esperada.
O hormônio do sono não funciona como um interruptor
A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal durante a noite. Sua principal função é enviar ao organismo um sinal biológico de que chegou a hora de dormir.
Por isso, ela é conhecida como “hormônio do sono”. Porém, sua função não é simplesmente fazer a pessoa apagar instantaneamente.
Na prática, a melatonina ajuda a regular o ritmo circadiano, também chamado de relógio biológico, responsável por coordenar os ciclos de sono e vigília.
O que acontece quando os receptores recebem estímulo demais?
A ação da melatonina depende principalmente dos receptores MT₁ e MT₂, estruturas localizadas em áreas cerebrais que participam do controle do sono.
Quando a melatonina se liga a esses receptores, o cérebro recebe sinais que favorecem o início do descanso. Entretanto, esses receptores possuem uma capacidade limitada de resposta.
É aqui que entra um conceito importante da farmacologia: a curva dose-resposta.
Isso significa que mais melatonina não gera necessariamente mais sono. Após determinado ponto, doses maiores podem trazer pouco benefício adicional e favorecer processos de dessensibilização dos receptores, tornando-os menos responsivos ao estímulo.
Mais pode acabar sendo menos
O objetivo da suplementação não é inundar o organismo com melatonina, mas sim imitar o sinal fisiológico produzido naturalmente pelo corpo.
Quando a dose é excessiva, esse equilíbrio pode ser comprometido. Como consequência, algumas pessoas podem apresentar:
Esse conjunto de sintomas é frequentemente chamado de “ressaca da melatonina”.
O verdadeiro objetivo não é apenas adormecer
Dormir bem não significa apenas pegar no sono rapidamente. A qualidade do descanso depende de uma arquitetura complexa do sono, composta por diferentes fases que precisam ocorrer de forma equilibrada ao longo da noite.
Por isso, uma pessoa pode até adormecer mais rápido, mas ainda assim apresentar despertares frequentes, sono leve ou sensação de cansaço pela manhã.
O sono saudável depende de equilíbrio
A melatonina pode ser útil em situações específicas quando utilizada corretamente. No entanto, aumentar a dose por conta própria nem sempre é a melhor solução.
Quando o assunto é sono, existe uma lição importante da farmacologia: menos pode ser mais.
Em muitos casos, o cérebro responde melhor a um sinal fisiológico adequado do que a uma quantidade excessiva do hormônio. Afinal, o sono de qualidade depende de equilíbrio, e não simplesmente de mais gotas no conta-gotas.














