Hora 7 Há 3.000 anos ocorreu o ataque de tubarão mais antigo registrado

Há 3.000 anos ocorreu o ataque de tubarão mais antigo registrado

Esqueleto com 790 lesões foi encontrado no Japão em 1860 e era alvo de um grande mistério, agora resolvido por cientistas

  • Hora 7 | Filipe Siqueira, do R7

Resumindo a Notícia

  • Um esqueleto achado em 1860 no Japão era alvo de um mistério, agora resolvido
  • Cientistas concluíram que o dono dele foi vítima de um feroz ataque de tubarão
  • Como o ataque ocorreu há cerca de 3.000 anos, é o mais antigo registrado
  • Pesquisadores ainda especularam se a vítima sofreu muito na morte
Esse esqueleto tem mais de 790 marcas de um feroz ataque de tubarão

Esse esqueleto tem mais de 790 marcas de um feroz ataque de tubarão

Reprodução/Laboratório de Antropologia Física da Universidade de Kyoto

Cientistas acreditam ter datado a mais antiga morte por ataque de tubarão registrada. A conclusão resolve uma investigação de mais de um século, envolvendo um esqueleto — conhecido como Tsukumo Nº 24 —  encontrado sem uma perna, uma mão e os dois pés.

Tsukumo foi encontrado em 1860, em um cemitério antigo do Japão, descoberto por acaso. Desde o achado, chamou a atenção as centenas de cortes e contusões violentas nos ossos, mas arqueólogos nunca conseguiram estabelecer o que os causou.

O artigo publicado Journal of Archaeological Science e liderado pela pesquisadora J. Alyssa White, da Universidade de Oxford, marca o fim do mistério e coloca a culpa da morte em um tubarão-branco ou tubarão-tigre — talvez um grupo deles.

A vítima provavelmente foi encontrada em uma praia e sepultada, seguindo rituais do período conhecido como Jōmon, que designa diversos povos que habitaram o arquipélago japonês de 14.000 a 300 a.C.. Testes revelaram que o esqueleto tem cerca de 3.000 anos.

O carbonato de cálcio presente em abundância nas conchas da região acidentalmente preservou o esqueleto da vítima.

Uma série de observações nos padrões das marcas nos ossos descartou um combate corpo a corpo, pela incompatibilidade das contusões com as ferramentas utilizadas na época.

Além disso, as garras e presas dos predadores carnívoros do Japão — essencialmente lobos e ursos marrons — também não eram compatíveis com as marcas no esqueleto. Assim, o caso permaneceu em aberto por mais de um século.

Uma análise histórica começou a apontar uma direção: os povos Jōmon eram conhecidos por pescar e coletar bens marinhos. Esse detalhe foi observado por Rick Schulting, professor de arqueologia científica e pré-histórica da Universidade de Oxford, co-autor do estudo.

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Para ele, a morte foi obra não apenas de um, mas possivelmente de dois tubarões de grande porte.

Ao todo foram identificadas 790 lesões de dentes no esqueleto, com o uso de uma ferramenta que recriou os ossos da vítima com tecnologia 3D e tomografias. Todas as marcas foram consideradas compatíveis com dentes de tubarão durante um ataque.

Após matarem a charada do mais antigo ataque fatal de tubarão registrado, e detalhar suficientemente as conclusões, os cientistas ainda especularam o quanto Tsukumo Nº 24 sofreu.

É bem possível que uma das primeiras mordidas tenha amputado a perna dele, o que o deixou inconsciente e matou rapidamente. Em outras palavras, ele não sentiu todos os cortes no esqueleto dele.

Mas, caso a mão tenha sido o primeiro alvo, ele sofreu muito mais e viu a pele e depois os ossos do membro virarem refeição de um gigante predatório.

Ainda que o estudo tenha descrito uma pequena história de terror de 3.000 anos, os autores ressaltam que ataques de tubarões são relativamente raros.

Segundo George Burgess, pesquisador do International Shark Attack File e consultor externo da pesquisa, ocorrem 75 ataques de tubarões por ano, apenas seis fatais. Para ter uma proporção, a humanidade mata cerca de 100 milhões de tubarões anualmente, segundo ele.

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