Hora 7 Pássaros são reais, diz criador do movimento 'Pássaros não são reais'

Pássaros são reais, diz criador do movimento 'Pássaros não são reais'

Segundo fundador, a ideia da teoria é combater ideias absurdas com ideias ainda mais absurdas

  • Hora 7 | Filipe Siqueira, do R7

Resumindo a Notícia

  • Em 2017, uma teoria da conspiração que diz que pássaros não existem foi fundada
  • Eles teriam sido exterminados em massa pelo governo e substituídos por drones
  • Mas o líder do grupo revelou a verdade: é uma forma de combater teorias perigosas
  • Além disso, oferece uma comunidade para jovens entenderem conspirações estranhas
Um dia típico no dia de um integrante do movimento

Um dia típico no dia de um integrante do movimento

Reprodução/Instagram/@birdsarentreal

No início de 2017 uma estranha teoria da conspiração chegou ao conhecimento do público: pássaros não são reais. A teoria afirma que eles foram assassinados em massa e robôs criados para nos espionar tomaram seu lugar, em um gigantesco esforço do governo dos Estados Unidos, empreendido de 1957 a 1971.

Absurdo? Sem dúvida, mas dezenas de milhares de seguidores se uniram ao movimento, que discute ideias conspiratórias no Instagram, TikTok, Facebook e outras redes sociais. No Instagram, o perfil (que é verificado) tem mais de 350.000 seguidores.

Vídeos no YouTube com detalhes de tal plano assustador também viralizaram. Jovens usam camisetas com a frase Birds aren't real e até mesmo outdoors que divulgam o tal plano maléfico foram vistos em algumas cidades dos Estados Unidos.

Em uma era em que teorias da conspiração destrutivas se espalham e até ajudam na disseminação da Covid-19, qualquer um poderia olhar com desconfiança para mais uma delas, mas uma entrevista recente revelou que o tal movimento é uma boa forma de piada.

Segundo Peter McIndoe, o estudante de 23 anos que criou a estranha teoria da conspiração viral, a ideia é combater informações absurdas com teorias ainda mais absurdas.

"A ideia pretende ser realmente absurda, mas nos certificamos de que nada do que dissermos seja realista demais. Essa é uma consideração ao sair do personagem", afirmou Peter, em entrevista recente ao New York Times.

Outros integrantes do movimento enxergam o "Pássaros Não São Reais" da mesma forma.

"Minha maneira favorita de descrever a organização é lutar contra a loucura com a própria loucura", disse Claire Chronis, 22 anos, outra organizadora do movimento.

McIndoe conta que a ideia surgiu quando viu pessoas se manifestando contra uma passeata feminista, no início do governo de Donald Trump. Ele escreveu "Pássaros não são reais" em um papel que arrancou da parede, por tentar transmitir uma mensagem mais absurda que aqueles manifestantes antifeministas pró-Trump.

Com a ajuda de um amigo, ele escreveu uma longa narrativa sobre a matança de pássaros e a substituição deles por robôs espiões voadores com formato de pássaro.

Desde então, ele e alguns colegas investiram no movimento para torná-lo uma arma capaz de combater teorias da conspiração que viram movimentos sociais influentes — a exemplo do conhecido QAnon.

"Se alguém acredita que os pássaros não são reais, somos a última de suas preocupações, porque provavelmente não há conspiração em que não acreditem", diz Connor Gaydos, o amigo que ajudou a escrever o histórico do grupo.

E a coisa ficou séria a ponto de McIndoe e Gaydos se tornarem "conspiradores profissionais", desde 2018. Eles vendem produtos Birds Aren't Real oficiais e com os ganhos se mantêm focados no movimento.

E fazem coisas como contratarem atores para se passar por agentes da CIA que confessam a matança dos pássaros, em um vídeo que recebeu mais de 20 milhões de visualizações no TikTok.

Como resultado, o Birds Aren't Real se tornou uma comunidade que evita que jovens e adolescentes sejam convencidos por grupos conspiratórios considerados perigosos. É uma forma de "alfabetização midiática", como reforça os líderes do grupo.

LEIA ABAIXO: Pessoas estão queimando torres 5G por causa de teorias da conspiração

Últimas