Aiatolá acusa EUA de tentarem atiçar protestos no Irã

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse nesta sexta-feira que o objetivo dos EUA é causar um colapso econômico no país

O aiatolá Ali Khamenei criticou as sanções impostas ao Irã pelos EUA

O aiatolá Ali Khamenei criticou as sanções impostas ao Irã pelos EUA

REUTERS/Morteza Nikoubazl/File Photo/14.09.2007

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou os Estados Unidos nesta sexta-feira (31) de tentarem atiçar protestos contra o governo da República Islâmica impondo sanções que disse visarem a falência do país.

Os governantes clericais iranianos tentam evitar um ressurgimento das manifestações antigoverno que abalaram a nação nos últimos anos e que começaram com protestos contra as adversidades econômicas, mas foram politizados por manifestantes que exigem a saída de autoridades de alto escalão. As autoridades disseram que os protestos de rua serão tratados de maneira "decisiva".

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"Seu objetivo de curto prazo (dos EUA) era deixar nosso povo tão irritado e cansado que ele se ergueria contra o sistema (governante)", disse Khamenei em um pronunciamento televisionado que marcou o feriado religioso muçulmano do Eid al-Adha.

"Seu objetivo de longo prazo é quebrar o país, o Estado, em outras palavras, causar um colapso econômico."

Além das sanções dos EUA, a economia do Irã foi abalada pela queda dos preços do petróleo e pela crise do coronavírus – o país tem uma das maiores taxas de mortalidade decorrentes da pandemia no Oriente Médio.

Fim do acordo

As relações entre Teerã e Washington se deterioraram desde 2018, quando o presidente norte-americano, Donald Trump, abandonou o acordo nuclear firmado pelo Irã com seis potências em 2015, conforme o qual Teerã concordou em limitar seu programa nuclear em troca da suspensão da maioria das sanções internacionais.

Khamenei classificou os EUA como o "principal inimigo" do Irã e fez um apelo para que seus compatriotas a resistam à pressão norte-americana. Ele descartou negociações com Washington, dizendo que Trump usaria as conversas para fazer propaganda, como fez com o líder norte-coreano, Kim Jong Un.

"Na mesa de negociação, a América quer que abandonemos totalmente nossa indústria nuclear, reduzamos nossas capacidades de defesa e abdiquemos de nossa influência regional", disse.

Desde que rompeu com o acordo nuclear, Washington reativou sanções que reduziram acentuadamente as exportações petrolíferas de Teerã e adotou uma política de "pressão máxima" que visa forçar o Irã a negociar um pacto mais abrangente que limite mais suas atividades nucleares e encerre seu programa de mísseis e seu apoio a forças que atuam em seu nome em uma disputa de poder regional com árabes do Golfo Pérsico apoiados pelos EUA.