Internacional Alemanha se defenderá contra minoria antivacina, diz Scholz 

Alemanha se defenderá contra minoria antivacina, diz Scholz 

Declaração ocorreu após operação em resposta a ameaças de morte contra líderes políticos

AFP
Olaf Scholz durante sessão plenária da Câmara Baixa do Parlamento alemão

Olaf Scholz durante sessão plenária da Câmara Baixa do Parlamento alemão

Annegret Hilse/Reuters - 15.12.2021

O novo chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, afirmou nesta quarta-feira (15) que o país se defenderá contra uma "minoria de extremistas" antivacinas. A declaração foi dada após uma operação policial em resposta a ameaças de morte a líderes políticos que apoiam as medidas contra a pandemia de Covid-19.

A polícia da Saxônia, no leste da Alemanha, apoiada pelas forças especiais de intervenção, executou uma operação nesta quarta-feira em Dresden depois que o ministro-presidente regional, Michael Kretschmer, recebeu ameaças de morte por parte de opositores à vacinação.

O chanceler Scholz, que assumiu o cargo na semana passada, afirmou que a Alemanha "não permitirá que uma pequena minoria de extremistas tente impor sua vontade ao conjunto da sociedade".

Scholz fez as declarações pouco depois da operação, realizada em vários pontos de Dresden. A ação foi uma consequência da infiltração de jornalistas do canal público ZDF em um grupo do aplicativo de mensagens Telegram, em que ameaças de morte foram supostamente feitas a Michael Kretschmer.

O ministro-presidente da Saxônia, que pertence ao partido conservador CDU, é favorável à vacinação.

"As declarações de alguns membros do grupo sugerem que eles poderiam ter posse de armas", afirmou a polícia em um comunicado, sem especificar se houve alguma prisão.

As autoridades suspeitam de "preparação de atos violentos que ameaçam o Estado", explicou a polícia no Twitter.

A Alemanha tem um forte movimento de oposição às restrições desde o início da pandemia, que está particularmente presente na Saxônia, estado que integrava a ex-Alemanha Oriental. A região é uma das mais afetadas pela atual onda de contágios de Covid-19 e tem uma taxa de vacinação inferior à média nacional.

"Negação da realidade"

"O que existe atualmente na Alemanha é a negação da realidade, as histórias de conspiração absurdas, a desinformação deliberada e o extremismo violento", lamentou o chefe de governo diante do Parlamento, antes de prometer uma resposta que vai "utilizar todos os recursos de nosso Estado democrático de Direito".

"Sejamos claros: uma pequena minoria em nosso país se afastou de nossa sociedade, de nossa democracia, de nossa comunidade e de nosso Estado, e não apenas da ciência, da racionalidade e da razão", completou.

No dia 8 de dezembro, a Justiça alemã abriu uma investigação após a exibição de uma reportagem na televisão que revelou o conteúdo das mensagens de um grupo no Telegram com uma centena de membros, "unidos por sua oposição à vacina, ao Estado e à política de saúde atual", afirmou o Ministério Público.

As mensagens de áudio defendiam a oposição, "com armas, se necessário", e citavam os líderes políticos, em particular Kretschmer. 

No início do mês, os opositores às restrições anti-Covid protestaram diante da casa do ministro da Saúde da Saxônia, o que provocou a indignação dos políticos.

Diante do avanço da quarta onda da pandemia, o governo alemão decidiu reforçar as restrições para as pessoas não vacinadas, que agora estão sem acesso à maioria dos locais públicos, restaurantes e estabelecimentos comerciais não essenciais. 

O número de opositores às medidas sanitárias que estariam dispostos a recorrer à violência na Alemanha seria de 15 mil a 20 mil, afirmou em entrevista ao jornal Bild o especialista do Partido Social-Democrata para questões de segurança, Sebastian Fiedler.

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