América do Sul é um novo epicentro da pandemia, diz OMS

Organização Mundial da Saúde chamou atenção para o impacto das desigualdades sociais na expansão da pandemia do novo coronavírus

Cena na favela Educandos, em Manaus, uma das cidades mais afetadas no Brasil

Cena na favela Educandos, em Manaus, uma das cidades mais afetadas no Brasil

Bruno Kelly / Reuters - 21.5.2020

Para a OMS (Organização Mundial da Saúde), a América do Sul é um novo epicentro da pandemia provocada pelo novo coronavírus. A afirmação foi feita por Michael J. Ryan, diretor-executivo do Programa de Emergências Globais da organização.

De acordo com o último relatório global divulgado pela OMS, com dados enviados pelos sistemas de saúde até a quinta-feira (21), o continente sul-americano tem cerca de 475 mil casos confirmados de covid-19 até agora. Quase 60% dos diagnósticos foram feitos no Brasil, que na contagem da OMS tem cerca de 272 mil casos.

O Ministério da Saúde confirmou, até o início da noite de quinta-feira, 310.087 casos  de covid.

Outros dois países sul-americanos que viram as curvas de contágio aumentarem nos últimos setes dias foram o Peru, que já soma mais de 100 mil casos confirmados, e o Chile, com quase 54 mil casos.

A chefe do Departamento de Doenças Emergentes da OMS, Maria Van Kerkhove, chamou atenção para o desafio representado pela desigualdades sociais. A epidemiologista afirmou que há um "risco desproporcional" sobre todas as populações mais vulneráveis e que isso deve ser motivo de preocupação dos governos.

A América do Sul é uma das regiões mais desiguais do planeta.

OMS não recomenda hidroxicloroquina

Referindo-se especificamente ao Brasil, o diretor-executivo do Programa de Emergências Globais, Michael Ryan, ressaltou que a OMS está a par da recomendação feita pelo governo brasileiro sobre o uso da hidroxicloroquina. O especialista voltou a reforçar que não há evidências clínicas sobre a efetividade da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19.

A OMS também reforçou o alerta de que o uso deste medicamento é recomendado exclusivamente em ambiente hospitalar, sob supervisão médica estrita e em casos específicos. Esta recomendação é feita especialmente porque a hidroxicloroquina provoca efeitos colaterais severos, que podem levar a complicações fatais ou deixar sequelas permanentes nos pacientes.

A organização ainda conduz experimentos clínicos solidários, com a participação de dezenas de hospitais ao redor do mundo, para testar a cloroquina e outros tratamentos possíveis para a doença.