Coronavírus

Internacional América Latina pode enfrentar 'avalanche de problemas de saúde'

América Latina pode enfrentar 'avalanche de problemas de saúde'

Opas alerta que pandemia pode prejudicar outras questões, como exames de gravidez, campanhas de vacinação e doenças crônicas

AFP
Atendimento a outros problemas foi prejudicado por conta da pandemia de covid

Atendimento a outros problemas foi prejudicado por conta da pandemia de covid

EFE/Joebeth Terriquez

A América Latina e o Caribe podem enfrentar uma "avalanche de problemas de saúde" devido às interrupções no atendimento básico provocadas pela pandemia de covid-19, advertiu nesta quarta-feira (28) a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

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Atrasos na imunização de crianças, falta de exames pré-natal, acompanhamento deficiente de pacientes com doenças crônicas: as interrupções causadas pela emergência do novo vírus "têm um impacto desproporcional em nosso primeiro nível de atendimento", observou em entrevista coletiva Carissa Etienne, diretora da Opas.

Queda na vacinação infantil

Um total de 97% dos países e territórios das Américas que participaram de uma pesquisa recente relataram alterações em seus serviços, enquanto 45% deram conta de interrupções em pelo menos metade deles, segundo a Opas. Por outro lado, mais de 300 mil crianças, a maioria no Brasil e no México, não receberam as vacinas de rotina em 2020, ressaltou Carissa.

A cobertura da primeira dose da vacina contra o sarampo diminuiu 10% em oito países das Américas, incluindo Brasil,  Venezuela e Panamá, e 20% no Suriname. “Se não revertermos essas tendências, corremos o risco de uma avalanche de agravamento dos problemas de saúde nas Américas”, alertou Carissa. “Em breve, a Covid-19 não será a única crise de saúde que exigirá a atenção dos países.”

Por esse motivo, a especialista recomendou alternativas no atendimento de saúde, como a telemedicina e os programas de extensão comunitária. Ela enfatizou que, mais do que nunca, investir recursos no atendimento básico da população é a "opção inteligente". "Como diz o ditado: 'É melhor prevenir do que remediar.'"

Carissa ressaltou que, apesar de a pandemia não ceder e de novas variantes surgirem, "muitos lugares relaxaram as medidas sociais e de saúde pública que se mostraram eficazes contra o vírus", como o uso de máscara e o distanciamento social em locais públicos.

“Até o momento, apenas 16,6% da população da América Latina e do Caribe foi totalmente vacinada”, lembrou a diretora, apontando que somente em países como Estados Unidos, Chile e Uruguai a cobertura vacinal é maior. “Isso significa que não podemos relaxar as medidas de saúde pública de forma alguma”, insistiu. "Por favor, lembrem-se de que ninguém estará a salvo até que todos estejam."

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