Internacional Americanos cruzam fronteira com México atrás de atendimento médico

Americanos cruzam fronteira com México atrás de atendimento médico

Recente sequestro e assassinato de cidadãos dos EUA evidenciaram problema conhecido como 'turismo médico'

AFP
Resumindo a Notícia
  • Americanos cruzam a fronteira em busca de procedimentos médicos mais baratos.

  • Maioria dos hospitais nos EUA é da iniciativa privada e tem custos muito altos.

  • Apesar do índice de criminalidade, cidadãos continuam se arriscando em fronteira com México.

  • 1,2 milhão de americanos viajam ao México todos os anos para atendimento médico.

Os EUA não têm sistema de saúde público universal, cada estado decide por si e a maioria dos hospitais são privados

Os EUA não têm sistema de saúde público universal, cada estado decide por si e a maioria dos hospitais são privados

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Enquanto as notícias giram em torno do sequestro de quatro americanos no México, dos quais dois foram assassinados, um detalhe em especial chamou atenção: as vítimas cruzaram a fronteira em busca de atendimento médico.

O caso evidenciou o fluxo constante do chamado turismo médico dos Estados Unidos para seu vizinho do sul: americanos buscam tratamentos de menor custo ou aos quais não têm acesso em seu país, apesar dos riscos de viajar para um local conhecido pela violência relacionada ao tráfico de drogas.

Os americanos fazem a viagem em busca de procedimentos diversos, como odontológicos, cirurgias estéticas e até tratamento de câncer.

O México é um dos principais destinos do mundo para o turismo médico, apesar de sua imagem negativa associada ao crime organizado e à violência dos cartéis do narcotráfico.

No entanto, os riscos associados ao turismo médico estão mais relacionados a um atendimento precário do que à "violência política ou social", disse à AFP Josef Woodman, diretor-executivo da Patients Beyond Borders, uma consultoria de assistência médica internacional.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos também alerta para a possibilidade de infecções e dificuldades de comunicação em outro país.

Os quatro americanos chegaram a Matamoros, cidade com altos índices de criminalidade no estado de Tamaulipas, um dos mais afetados pela violência. Até mesmo o Departamento de Estado aconselha seus cidadãos a evitar totalmente a área, citando o sequestro como um dos riscos.

"Atendimento de primeira"

Woodman disse que o email de sua organização foi "inundado nas últimas 36 horas" com pedidos de interessados em viajar para realizar procedimentos, apesar das notícias recentes.

Alguns dias antes, a aposentada do Colorado Amber O'Hara recomendou a uma amiga a mesma clínica odontológica mexicana para a qual viajou várias vezes durante um tratamento.

"O custo é a razão pela qual eu vou", disse O'Hara, destacando o atendimento de primeira qualidade.

Seu dentista tem consultório em Los Algodones, no estado de Baja California e na divisa com o Arizona. A cidade é conhecida como "Molar City" (Cidade do Molar), devido ao número de consultórios odontológicos que atendem estrangeiros.

Porém, O'Hara reconhece que evitaria a região porque "passou por momentos delicados mais de uma vez". Ela é um do 1,2 milhão de americanos que viajam ao México todos os anos para atendimento médico, estima a Patients Beyond Borders.

Woodman afirma que as cirurgias para controle de peso, que não são cobertas pelos seguros médicos nos Estados Unidos, estão entre os objetivos mais comuns entre os americanos que cruzam para o México.

O principal motivo para viajar ao México continua sendo a falta de acesso a procedimentos considerados "indisponíveis ou não aprovados", segundo o CDC, junto com os preços. Os custos podem ficar em média 40% a 60% mais baixos para os americanos, de acordo com Woodman.

Um estudo de 2020, que entrevistou mais de 400 pessoas que cruzaram a fronteira EUA-México, concluiu que 92% citaram o custo como determinante para a decisão pelo turismo médico.

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